LUTA

Trabalhadores da Petrobras em Pernambuco aderem ao movimento grevista nesta quarta-feira (17)

Principais demandas da categoria envolvem reajuste salarial, mudanças no fundo de pensão e soberania da estatal

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Trabalhadores fazem manifestações na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Transpetro
Trabalhadores fazem manifestações na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal Transpetro | Crédito: Sindipetro (PE/PB) – Divulgação

Desde a meia-noite desta quarta-feira (17), os trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e do Terminal Aquaviário da Transpetro, em Ipojuca, iniciaram a paralisação da categoria dos petroleiros em Pernambuco, aderindo ao movimento grevista nacional que começou no último dia 5 por tempo indeterminado. Manifestações lideradas pelo Sindicato dos Petroleiros de Pernambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB) marcaram o início das movimentações que seguiram durante o restante do dia.

As principais demandas da categoria são: reajuste de ganho real nos salários, com debate sobre a política de distribuição dos dividendos entre os acionistas da estatal; mudanças no fundo de pensão da Petrobras (Petros) com o fim do Plano de Equacionamento de Déficit (PEDs) e acabando com descontos e cortes nos contracheques de aposentados e pensionistas; a aplicação de medidas elaboradas pelos trabalhadores para que a administração interrompa processos de venda de ativos, reassuma empresas privatizadas em governos passados e unifique o sistema de holding e subsidiárias.

Foram montadas duas tendas de greve nas entradas da Rnest e do Terminal Aquaviário, onde estão sendo promovidas manifestações públicas e conversas com trabalhadores dos dois locais. As manifestações contaram com apoio de parlamentares que estiveram por lá, como os deputados estaduais Rosa Amorim (PT) e João Paulo (PT), além da vereadora do Recife Kari Santos (PT). 

Tendas foram montadas nas entradas da Refinaria Abreu e Lima e do Terminal Aquaviário Transpetro
Tendas foram montadas nas entradas da Refinaria Abreu e Lima e do Terminal Aquaviário Transpetro | Crédito: Sindipetro (PE/PB) – Divulgação

“Hoje é um dia de luta de valorização dos trabalhadores e trabalhadoras, contra as privatizações. Defender a Petrobras é defender o Brasil e a nossa soberania, que ela possa ser do povo e dos seus trabalhadores”, declarou Rosa Amorim, em suas redes. 

“A direção tem se mantido intransigente em relação aos trabalhadores, mas eles hoje estão utilizando a maior arma que os trabalhadores tem, porque são eles que constroem a riqueza. Se faz necessário que a direção da Petrobras sente e negocie um acordo digno, porque nós vamos continuar brigando pela pauta de reivindicação desse ano e vamos continuar lutando contra qualquer tentativa de privatização da Petrobras”, afirmou João Paulo, também em suas redes. 

Na última semana, nas vésperas da greve, o Brasil de Fato conversou com Sinésio Pontes, presidente do Sindipetro (PE/PB). “Sabemos que há uma diferença entre o governo e a gestão da empresa. Mas temos que cobrar, porque não faz sentido que esta seja a empresa mais pujante do país e os trabalhadores não sintam melhorias”, afirmou Pontes. Em Pernambuco, 91% dos trabalhadores da empresa votaram a favor da greve. 

Sinésio ressaltou que a Petrobras “desconsidera os trabalhadores na conta da sua geração de riqueza” e, por isso, tem “desvalorizado” a categoria e postergado a reposição do efetivo da empresa. “Ela está atuando como uma empresa comum de mercado, distribuindo lucros e dividendos elevados aos acionistas, mas sem reverter esse lucro em melhorias para os trabalhadores”, completa o sindicalista.

No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Rnest para uma cerimônia de assinatura simbólica do contrato para início das obras de ampliação da capacidade de produção. Na ocasião, ele reforçou o compromisso da estatal com o desenvolvimento do país e o bem-estar da população. 

“A gente voltou para dizer: a gente vai fazer a Petrobras continuar servindo ao Brasil. Fazer isso aqui é apenas a demonstração de que esse país é soberano e tem na Petrobras sua mais importante empresa. O dinheiro que a Petrobras consegue produzir nesse país tem que se transformar em benefício para o povo brasileiro e benefício significa emprego, emprego significa salário e salário significa dignidade”, afirmou Lula durante sua visita. 

Apesar das críticas à condução da Petrobras, Sinésio Pontos reforça seu apoio ao atual presidente da República. “Os trabalhadores entendem que esse é o governo que mais se aproxima do que os trabalhadores desejam. Mas governo é governo, empresa é empresa e sindicato é sindicato”, conclui. 

Editado por: Luís Indriunas

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