A greve nacional dos petroleiros entra em seu quarto dia nesta quinta-feira (18) com uma expansão significativa em sua base de apoio. De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o movimento ganhou força com a adesão recente de unidades estratégicas, como a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), no Espírito Santo, e a Estação de Compressão da TBG, no Paraná.
O avanço também é notável na Bahia, por meio da Estação de Gás Vandemir Ferreira (EVF) e da Estação de Transferência Parque São Sebastião, além de importantes terminais da Transpetro em São Paulo (São Caetano do Sul e Barueri) e no Rio Grande do Sul, no Terminal Aquaviário Almirante Soares Dutra (Tedut).
Atualmente, o balanço da mobilização nas bases da FUP reflete uma paralisação abrangente que já atinge 28 plataformas e 16 unidades da Transpetro, nove refinarias, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel e duas unidades de tratamento de gás, além de incluir o Edifício Sede de Natal.
Somam-se a esse quadro cinco ativos de produção terrestre e as estações de compressão e transferência situadas em solo baiano, evidenciando o fortalecimento da greve em diversos segmentos do Sistema Petrobras.
Nesta quarta-feira (17), em Pernambuco, ocorreram cortes na rendição do turno na Refinaria Abreu e Lima e no Terminal de Suape. No Norte Fluminense e no Espírito Santo, a adesão à greve aumentou.
A mobilização é uma resposta direta aos entraves na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025-2026, visto que a terceira proposta apresentada pela Petrobras não contemplou as demandas centrais da categoria.
O sindicato questiona o discurso de “aperto dos cintos” da empresa enquanto são divulgados lucros recordes, com R$ 32,7 bilhões destinados aos acionistas. Entre os pontos de divergência estão a proposta de alterar cláusulas sob análise judicial, a inclusão de uma cobrança adicional para cobrir custos administrativos do plano de saúde, que diminuiria o ganho real de 0,5% na Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), a redução de postos de trabalho e a antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), vista como “pegadinha” pelos trabalhadores.

Segundo a FUP, ainda não houve avanços por parte da empresa que possam levar à suspensão da greve, mas a federação segue buscando interlocução e espera um posicionamento em breve por parte da companhia.
Grevistas das plataformas desembarcam no Norte Fluminense (NF)
Representantes sindicais estão mobilizados no Aeroporto de Macaé e no Heliporto do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes, para recepcionar os petroleiros que desembarcam das plataformas da Bacia de Campos em adesão à greve.
Até o momento, o movimento registra a paralisação integral de 28 unidades marítimas, sendo 26 representadas pelo Sindipetro-NF e duas pelo Sindipetro-ES, as plataformas P-57 e P-58, cujos grevistas já concluíram o processo de desembarque.
Entretanto, o Sindipetro-NF denuncia que, em diversas bases do Norte Fluminense, trabalhadores que aderiram ao movimento seguem retidos a bordo contra a própria vontade, o que a entidade classifica como prática de “cárcere privado”. O sindicato ressalta que a situação é crítica, pois o trabalhador não possui meios próprios ou transporte público para deixar as unidades, dependendo exclusivamente da logística fornecida pela Petrobras.
Além disso, a entidade contesta as justificativas de gestores que estariam atribuindo o cancelamento de voos aos atos sindicais nos aeroportos. Em nota, o Sindipetro afirma que tais alegações são falsas e visam apenas colocar a categoria contra o sindicato, reforçando que a companhia possui total capacidade logística para garantir o transporte dos grevistas.

Protestos pelo país
A mobilização pelo país conta com uma série de atividades e protestos. Em paralelo aos movimentos nas bases operacionais, a capital fluminense abriga uma vigília no edifício sede que já ultrapassa uma semana, onde aposentados e pensionistas de diversos estados exigem uma solução formal para os déficits dos planos de previdência e o fim dos equacionamentos.
Na quarta-feira (17), houve paralisações e bloqueios em pontos estratégicos do Sistema Petrobras, como a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas, em Macaé, e a sede administrativa no Rio Grande do Norte, que contou com o apoio de petroleiros de plataformas, refinarias e prestadores de serviço.
As manifestações também ganharam força em Pernambuco, com um ato expressivo na Refinaria Abreu e Lima focado na justa distribuição de lucros, e no Espírito Santo, onde trabalhadores no administrativo e petroleiros embarcados reforçaram a necessidade de pressão sobre a gestão da companhia.
