Autoridades russas acusaram a Ucrânia de realizar um ataque com drones contra a cidade de Khorly, na região de Kherson, durante a madrugada desta quinta-feira (1º), que deixou ao menos 24 civis mortos e dezenas de feridos.
A ação ocorreu em meio às celebrações de Ano Novo, segundo informações divulgadas por Moscou. Até o momento, as autoridades ucranianas não reagiram às acusações.
A localidade fica em uma área da província de Kherson atualmente controlada pela Rússia. A região foi ocupada por tropas russas em 2022, no início da guerra, e segue como uma das principais zonas de confronto entre os dois países.
De acordo com o governador da região nomeado por Moscou, Vladimir Saldo, drones teriam atingido um café e um hotel na cidade. Ele afirmou que algumas vítimas morreram carbonizadas e que há feridos em estado grave, incluindo crianças. Segundo Saldo, o fogo só pôde ser controlado nas primeiras horas da manhã.
Em entrevista à agência russa RIA Novosti, o governador classificou o episódio como um “ato deliberado de terrorismo” e responsabilizou diretamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Para Saldo, o ataque contradiz os discursos de Kiev sobre busca por uma solução pacífica para o conflito.
Em reação oficial, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou não apenas a Ucrânia, mas também países ocidentais que apoiam Kiev, classificando-os como “cúmplices do terrorismo”. Segundo ela, o ataque representaria uma continuidade do que chamou de “terrorismo neonazista” atribuído ao governo ucraniano.
Zakharova comparou o episódio a crimes cometidos por colaboracionistas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e afirmou que o ataque demonstra “desumanização” e “ódio deliberado contra civis”. As declarações foram feitas em nota oficial e também publicadas em seu canal no Telegram.
Outras autoridades russas também se manifestaram. A presidente do Conselho da Federação, Valentina Matvienko, classificou o ataque como uma “monstruosidade moral” e afirmou que a Rússia espera uma condenação internacional. Já o chefe da Crimeia, Sergei Aksenov, chamou o episódio de “crime sangrento”.
O Comitê de Investigação da Rússia informou que abriu um processo criminal e descreveu o episódio como um ataque maciço com drones contra alvos civis. Imagens divulgadas por autoridades russas mostram prédios destruídos e corpos carbonizados, mas essas informações não puderam ser verificadas de forma independente.
O Kremlin informou também que, paralelamente ao ataque em Kherson, drones ucranianos teriam sido lançados contra o território russo durante a mesma madrugada, mas que todos teriam sido interceptados pelas defesas aéreas do país.
*Com informações de AFP, RT e Sputnik
