DIVERSÃO E ARTE

Festival Porto Verão Alegre tem início nesta quinta-feira (8) com mais de 140 atrações na Capital

Até 8 de fevereiro, evento movimenta 17 palcos da cidade com teatro, música, dança e performances para todas as idades

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"A Noite do Chacal" é um espetáculo e uma imersão poético-musical que une teatro, música e o ambiente boêmio dos anos 70/80
“A Noite do Chacal” é um espetáculo e uma imersão poético-musical que une teatro, música e o ambiente boêmio dos anos 70/80 | Crédito: Emerson Bueno

A 27ª edição do Festival Porto Verão Alegre tem início nesta quinta-feira (8). São aguardadas mais de 140 atrações culturais distribuídas entre cerca de 240 apresentações. O evento promete movimentar 17 palcos da Capital até 8 de fevereiro.

Ao longo de 31 dias, o festival reúne teatro, música, dança, humor, espetáculos infantis e propostas experimentais. Os ingressos são a preços populares, a partir de R$ 21.

Assim como nos últimos anos, diversas sessões serão acessíveis, com audiodescrição e tradução em Libras. A acessibilidade também estará em destaque no workshop “O que pode um Corpo?”, voltado à inclusão nas artes.

“A vingança é um jardim selvagem” costura e celebra histórias de mulheres que vingam como erva selvagem. É o primeiro espetáculo solo da carreira de Priscilla Colombi, vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz, em 2025 – Foto: Adriana Marchiori

Entre os destaques do teatro estão os espetáculos Bukowski – Ao Sul de Lugar Nenhum, com apresentação em 8 e 9 de janeiro, e a A Noite do Chacal, em 10 e 11 de janeiro, com tradução em Libras. Ambas as montagens ocorrem no Galpão Floresta Cultural e marcam as comemorações de 30 anos da trupe Depósito de Teatro.

O evento de 2026 também traz mais de 50 produções estreantes, como a obra A vingança é um jardim selvagem, primeiro espetáculo solo da carreira de Priscilla Colombi, vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz, em 2025. A apresentação ocorre de 8 a 10 de janeiro, no espaço Zona Cultural e celebra 21 anos da Cia. Rústica. Saiba mais sobre as peças ao fim da matéria.

A programação do Porto Verão Alegre contempla ainda diferentes linguagens, passando por comédia, stand-up, drama, dança, ilusionismo, teatro espírita e espetáculos voltados ao público infantil. O festival também recebe artistas de projeção nacional, como Thiago Lacerda, Nany People, Fabiano Cambota e Grace Gianoukas.

Diversidade sonora

A música ocupa papel central nesta edição, com shows que transitam por MPB, pop, música erudita, reggae, jazz, rock, R&B e soul. Estão na programação André Abujamra e Marcos Suzano, Graforréia Xilarmônica, Duca Leindecker, Nei Lisboa, Thedy Corrêa, Renato Borghetti, Kleiton & Kledir, entre outros.

O evento trará novos nomes da cena nacional, como Chico Brown, filho de Carlinhos Brown com Helena Buarque, e neto de Chico Buarque. Entre as atrações também está o compositor e multi-instrumentista paranaense Arrigo Barnabé com a apresentação do disco Clara Crocodilo (1980).

Também celebrando 25 anos do álbum , Maskavo traz o reggae da Capital Federal para Porto Alegre (RS). Ainda se apresenta a banda Chimarruts com seus fundadores Sander e Nê.

Entre os destaques da programação musical também está o projeto de três “groove sessions” em que o saxofonista e flautista gaúcho Cleômenes Junior receberá diferentes nomes da cena jazzística e instrumental. A estreia será com Esdras Nogueira, saxofonista e produtor, conhecido pelo trabalho como integrante da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju.

O evento, que nasceu em 1999 com uma programação exclusiva de artes cênicas, é hoje um dos maiores e mais representativos festivais multiculturais do país, abrigando diferentes manifestações artísticas.

O 27º Porto Verão Alegre é apresentado pelo Ministério da Cultura, com realização da Mais Produções, Mezanino Produções e Gana&Voga, por meio da Lei Rouanet.

A Noite do Chacal

“A Noite do Chacal” é uma celebração “músico-cênico-visual” que resgata a voz de poetas que desafiaram a ditadura e o formalismo acadêmico com sarcasmo, erotismo e doses cavalares de realidade urbana – Foto: Emerson Bueno

Comemorando 30 anos de história, o premiado grupo porto-alegrense Depósito de Teatro mergulha na estética da Geração Mimeógrafo em espetáculo que une teatro, música e o ambiente boêmio dos anos 70/80.

A Noite do Chacal é uma imersão poético-musical ambientada na atmosfera esfumaçada e autêntica de um bar. O espetáculo transcende a leitura convencional. É uma celebração “músico-cênico-visual” que resgata a voz de poetas que desafiaram a ditadura e o formalismo acadêmico com sarcasmo, erotismo e doses cavalares de realidade urbana.

Com roteiro e direção de Roberto Oliveira, a peça coloca em cena os versos de nomes como Ana Cristina César, Paulo Leminski, Torquato Neto, Wally Salomão e, claro, Chacal, que batiza a montagem. O elenco, formado por Elisa Heidrich e Wagner Monthero, também dá voz à densidade de Hilda Hilst, Caio Fernando Abreu e Lila Ripoll.

“Não é apenas um recital; é um manifesto sobre a espontaneidade e a resistência cultural. Queremos que o público sinta a mesma pulsação que esses poetas sentiam ao rodar seus textos em mimeógrafos e distribuí-los de mão em mão”, afirma o diretor Roberto Oliveira.

Bukowski – Ao Sul de Lugar Nenhum

Em “Bukowski – Ao Sul de Lugar Nenhum”, o diretor Roberto Oliveira coloca sua própria biografia em contraponto com a do escritor estadunidense – Foto: Emerson Bueno

Com roteiro e atuação de Roberto Oliveira, a peça traz uma proposta corajosa: o diretor Roberto Oliveira coloca sua própria biografia em contraponto com a do escritor estadunidense, revelando traumas e conexões que tornam a peça um ato de honestidade rara no palco.

A montagem do Depósito de Teatro, que celebra 30 anos de fundação, foge da adaptação literária convencional. Trata-se de um “teatro confessional” onde o ator e diretor Roberto Oliveira estabelece um diálogo íntimo com a obra do “velho-safado” Charles Bukowski (1920-1994). No palco, as trajetórias se fundem em paralelos surpreendentes: a violência paterna, a resistência de ser canhoto em um mundo destro e o crescimento em bairros periféricos.

A peça não caminha sozinha pelo submundo de Los Angeles. A premiada atriz Elisa Heidrich entra em cena para dar vida à multiplicidade das figuras femininas que cruzaram o caminho do escritor. A dinâmica atinge seu ápice com a personificação da Dona Morte, uma figura sensual e inevitável que vem reivindicar a alma do autor no final da jornada.

“É uma performance-ensaio. Usamos a prosa e a poesia de Bukowski não como um texto sagrado, mas como um espelho. É sobre como a literatura pode salvar e transformar um indivíduo que o mundo tentou descartar”, revela Oliveira.

A vingança é um jardim selvagem

“A vingança é um jardim selvagem” permite brincar com imaginários de vingança e vingadoras, filmes e personagens, repertórios e memórias – Foto: Adriana Marchiori

A vingança é um jardim selvagem é o primeiro espetáculo solo da carreira de Priscilla Colombi, vencedora do Prêmio Açorianos de Melhor Atriz, em 2025. Com direção e composição dramatúrgica de Patrícia Fagundes, a montagem autoral foi desenvolvida durante o processo de ensaios, que costura e celebra histórias de mulheres que vingam como erva selvagem.

O roteiro se estrutura a partir da busca da protagonista — uma artista escritora — pela vida extraordinária de Veronika V, que se desdobra em muitas: professora, viajante, cantora, pistoleira e aventureira. A trama se permite brincar com imaginários de vingança e vingadoras, filmes e personagens, repertórios e memórias. Nessa busca, percorre lugares diversos, experiências e encontros com mulheres marcantes, misturando real e ficção.

A vingança é um jardim selvagem aborda urgências de nosso tempo com uma equipe predominantemente feminina”, explicam Priscilla e Patrícia.

Simone Rasslan assina a trilha sonora e Marga Ferreira, a iluminação. Os figurinos foram criados por Carol Scortegagna. Os vídeos são de Lívia Pasqual. A cenografia é Yara Balboni, a arte gráfica de Manoele Scortegagna e a produção executiva de Eduarda Rhoden.

Serviço

27º Porto Verão Alegre

De 8 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026

Porto Alegre – RS

Ingressos de R$ 21 a R$ 120

Programação completa e vendas online aqui. A partir de 8 de janeiro, venda também na bilheteria da Casa de Cultura Mario Quintana e, nos dias de apresentação, nos locais dos espetáculos, uma hora antes do início.

Espetáculos

A Noite do Chacal – Grupo Depósito de Teatro

Data: 10 de janeiro (sábado) às 20h com interpretação em Libras e 11 de janeiro (domingo) às 18h.

Local: Galpão Floresta Cultural – Rua Conselheiro Travassos, 541, bairro Floresta, Porto Alegre (RS)

Ingressos aqui.

Bukowski: Ao Sul de Lugar Nenhum – Grupo Depósito de Teatro

Data: 8 e 9 de janeiro (quinta e sexta-feira) às 20h

Local: Galpão Floresta Cultural – Rua Conselheiro Travassos, 541, bairro Floresta, Porto Alegre (RS)

Ingressos aqui.

A vingança é um jardim selvagem – Cia. Rústica

Data: 8 a 10 de janeiro (quinta-feira a sábado) às 20h

Local: Zona Cultural – Av. Alberto Bins, 900, bairro Floresta, Porto Alegre (RS)

Ingressos aqui.

Editado por: Marcelo Ferreira

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