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Vazamento é ‘senha para revisão de licenciamento’ para explorar petróleo na Foz do Amazonas, defende especialista

Geógrafo Wagner Ribeiro lembra que ambientalistas alertavam para risco de vazamento antes mesmo do início dos trabalhos

Foz do rio Amazonas foi alvo de disputa entre setor energético e os ambientalista, que, desde o início, alertavam para os impactos ambientais
Foz do rio Amazonas foi alvo de disputa entre setor energético e os ambientalista, que, desde o início, alertavam para os impactos ambientais | Crédito: Elsa Palito/Greenpeace Brasil

A confirmação de um vazamento de fluido em poço de petróleo na região da foz do rio Amazonas, iniciado na madrugada de domingo (4), deveria ser a senha para a revisão do licenciamento concedido para que a Petrobras faça os testes para exploração na região. É o que defende o geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

Ribeiro participou do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, em sua segunda edição nesta quarta-feira (7). O especialista afirmou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deveria, a partir dessa confirmação, retomar a fiscalização de toda a área onde os equipamentos para exploração do petróleo foram instalados.

“É muito preocupante. A gente previa esse tipo de situação, e infelizmente já ocorreu. Do meu ponto de vista, é necessário que o Ibama retome quanto antes a fiscalização de toda a área e, evidentemente, rever todo o licenciamento que foi concedido”, apontou.

Apesar de a Petrobras ter divulgado comunicado público garantindo que não há riscos de contaminação, um documento ao qual a Deutsche Welle teve acesso afirma que o fluido é “possível de causar dano ao meio ambiente ou à saúde humana”.

“É preciso ter muita cautela neste momento, dentro do possível, coletar esse material para fazer análise mais objetiva para entender de fato o que vazou. Foi detectado por um robô, aparentemente não teve contato com humanos, mas, de qualquer modo, confirmou nosso grande temor”, lamentou Ribeiro.

A exploração de petróleo na área, também chamada de Margem Equatorial, foi alvo de disputas internas desde o início do atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República. No fim, o setor energético venceu a queda de braço contra a ala ligada ao setor ambiental, contrariando as orientações de especialistas.

“É uma área bastante sensível. Temos ali um sistema complexo, de uma interação de água doce com o mar muito peculiar no planeta todo. O rio Amazonas joga nos oceanos 15% de toda a água doce do planeta. Isso cria um sistema bastante peculiar, muito rico e muito biodiverso. E essas substâncias podem afetar os microorganismos que vão ser a base da cadeia alimentar, que vão ser nutrientes para animais maiores e para chegar à nossa escala de alimentação”, alertou Wagner Ribeiro.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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