ECONOMIA

Porto Alegre é uma das capitais com a maior inflação no Brasil em 2025

Em 2025, a capital gaúcha alcançou o segundo maior índice, 4,79%, perdendo apenas para Vitória (ES)

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A capital gaúcha teve a maior inflação entre as capitais em dezembro | Crédito: Foto: Giulian Serafim / PMPA

Segundo dados divulgados na última segunda-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Porto Alegre (RS) teve o maior índice de inflação entre as capitas brasileiras no mês de dezembro de 2025 atingindo 0,63%. No ano de 2025, Porto Alegre alcançou o segundo maior índice, 4,79%, perdendo apenas para Vitória (RS), 4,99% e ficando apenas um ponto acima de São Paulo que chegou a 4,78%.

Segundo o diretor técnico em estatística do IBGE, José Fernando Pereira Gonçalves, os preços que puxaram este índice foram o transporte por aplicativo que atingiu cerca de 80%, a a tarifa de energia elétrica que, em dezembro teve um reajuste de 21%. Gonçalves fez questão de ressaltar que o IBGE não analisa os índices e seus efeitos sobre a população, apenas coleta os dados e os divulga.

Já para a economista do Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese), Daniela Sandi, estes dados influenciam diretamente na vida dos trabalhadores aumentando o custo de vida: “A inflação não é neutra, ela afeta de formas diferentes os diversos atores e estratos da sociedade. Quando a maior pressão inflacionária fica em itens essenciais como transportes, energia elétrica tem impacto maior na população de menor renda já que proporcionalmente o peso desses itens no orçamento dessas famílias é maior”, argumentou.

Segundo Sandi, uma parte dos preços são os chamados administrados (ou indexados) que são os serviços e produtos com reajustes definidos por contratos ou regulados pelo setor público. Ou seja, a variação de seus custos não é determinada pela oferta e demanda no mercado. A exemplo da energia, combustíveis, água, tarifas de transporte urbano, reajuste dos alugueis (contratos – IGP-M, IPCA, etc), reajuste dos medicamentos (anual-mês de abril), reajuste dos planos de saúde  e reajustes das mensalidades escolares.  “O trabalhador diferente de setores protegidos ou com outros tipos de renda como alugueis , dividendos, etc., só depende de salário e não tem como repassar para a frente o aumento de preços”, explicou.

Vilões são serviços essenciais

Para ela, “o mais preocupante e que toda vez que um item essencial como luz ou água aumenta, e frequentemente é acima da inflação, o consumidor assalariado não tem como fazer substituição, não tem como fugir desse aumento trazendo impacto importante não só pela alta acima da inflação mas pelo peso maior que esses itens têm no orçamento das famílias de baixa renda”.

Sandi apontou as privatizações dos setores estratégicos como as principais responsáveis pelo agravamento da qualidade de vida dos trabalhadores e exemplificou com a nota técnica do Dieese sobre o assunto. “As evidências apresentadas sobre o processo de privatização no setor na década de 1990 sugerem que a principal estratégia das empresas tem sido a obtenção de lucros por meio do aumento das tarifas e da redução dos custos com pessoal, via terceirização e precarização das condições de trabalho, que resultam na piora da qualidade dos serviços e em um enorme número de acidentes na rede elétrica brasileira. Em síntese, pode-se afirmar que, com a privatização, houve aumento significativo das tarifas e piora dos serviços prestados, expressa no elevado número de acidentes com a população, e precarização das condições de trabalho, refletida no elevado número de acidentes de trabalho e na redução do número de empregos formais no setor”.

Editado por: Vivian Virissimo

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