Depois de uma temporada hospedado no antigo ‘Hotel da Loucura’, projeto desenvolvido com pacientes do Instituto Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, o artista e diretor colombiano Daniel Satin escreveu Fumaça – Puro Visaje, uma peça que propõe desafiar as percepções convencionais da realidade e explorar os conceitos e limites associados à loucura. O espetáculo está em cartaz em curta temporada, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, até o próximo domingo (18).
Horas antes de subir ao palco para a apresentação desta sexta-feira (16), Satin conversou com Larissa Bohrer e José Bernardes na segunda edição do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, e convidou o público da capital paulista a conhecer o projeto.
“Esse espetáculo nasce a partir de minha experiência de vida, por causa de uma escola de palhaços no Rio de Janeiro. Eu vim da Colômbia, e enquanto estudava na escola de palhaços, dormia no Hotel da Loucura”, relatou. “Ali eu comecei a perceber que o riso era mais que felicidade: é uma válvula de escape, uma necessidade fisiológica. Comecei a questionar a loucura, os tipos de tratamento que são aplicados, quem decide quem está louco e quem não está”.
Com longa vivência no Brasil, ele ampliou sua pesquisa no tempo em que passou no país. Conheceu, por exemplo, o trabalho da jornalista Daniela Arbex, autora de O Holocausto Brasileiro, livro que virou filme e conta a história do Hospital Psiquiátrico Colônia, um manicômio de Barbacena (MG) onde mais de 60 mil pessoas morreram entre 1903 e 1980.
Apesar da densidade do tema, Fumaça – Puro Visaje oferece uma reflexão cômica que procura levar o público a um mundo contraditório. A temporada tem mais duas sessões: neste sábado (17), às 20h; e no domingo (18) às 17h30, encerrando a temporada. Os ingressos estão disponíveis aqui.
“O riso é como estímulo, como impulso. É como chorar. Mesmo que você esteja triste, em uma situação precária, mesmo assim você continua rindo. O riso é um ato de resistência. Mesmo que estejamos tristes, sofrendo, que o mundo esteja caindo. Rir é uma necessidade, mas não é sinônimo de felicidade”, afirmou. “Mais que necessário, é pertinente começar a usar nossas técnicas cômicas em um lugar de provocação. É importante, nos tempos atuais, trazer a sátira, a ironia, o sarcasmo”.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
