Um ano depois de assumir o seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou nesta quinta-feira (22) a criação do Conselho de Paz em Davos, na Suíça. Em discurso de 20 minutos, o mandatário disse que o grupo vai tentar acabar com todos os conflitos ao redor do mundo e consolidar um “estado pacífico” em todas as regiões.
A medida de Trump se dá depois de ataques e bombardeios causados pelos EUA em diferentes países. Ainda assim, o mandatário celebrou as “conquistas” militares estadunidenses e os acordos costurados para resolver conflitos. De acordo com o republicano, foram 8 guerras resolvidas ao redor do mundo nos últimos 12 meses. Ele citou o cessar-fogo na Faixa de Gaza e a resolução de embates militares entre Índia e Paquistão, Camboja e Tailândia, Kosovo e Sérvia, República Democrática do Congo e Ruanda, Israel e Irã, além de Egito e Etiópia.
O presidente dos EUA disse que o próximo desafio e o “mais difícil’ será acabar com o conflito entre Rússia e Ucrânia.
A formalização ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial, realizado na Suíça. O republicano não escondeu a “rivalização” com a estrutura do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, a organização não tem tido atuação contundente para resolver os conflitos e a ideia do conselho é usar seu poder militar para atuar onde o grupo entender que seja necessário.
“A ONU tem um potencial, eles poderiam ter acabado com essas guerras, mas não conseguiram. Nós podemos nos unir à ONU e fazer um trabalho para o mundo. Vamos acabar com décadas de sofrimento e banhos de sangue. Quando usamos nossa genialidade para paz é incrível. Quero colocar o Conselho de Paz em força total”, disse.
O Conselho de Paz havia sido criado para supervisionar a questão da Faixa de Gaza, mas foi formalizado nesta quinta para uma atuação estendida. Ainda que tenha anunciado a participação de 59 países, menos de 20 governos assinaram a formalização do grupo. Na cerimônia de lançamento do suposto conselho, Trump disse que o mundo está mais calmo depois de um ano da sua posse.
“Fizemos acordos comerciais e o mundo está mais pacifico do que um ano atrás. Conselho de Paz é um grupo de renome e eu estou honrado de ser o presidente. Todo país que quiser ser parte pode ser. Tem alguns presidentes aqui que eu não gosto, outros que eu não suporto, mas são bons presidentes. Estamos honrados pela presença desses líderes”, disse.
O governo brasileiro foi convidado para integrar o grupo, mas ainda não respondeu. Alguns dos mandatários que estiveram no lançamento e na formalização do grupo são o presidente da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Pena, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.
Trump também citou a atuação militar na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Mesmo afirmando que o seu objetivo é garantir a paz, o mandatário celebrou o que chamou de “ataque” e disse que Caracas hoje coopera com a Casa Branca na exploração de petróleo.
“No começo deste mês, graças a nossa força, capturamos o ditador Nicolás Maduro. Temos um ótimo relacionamento com o novo governo, estamos abrindo o país para empresas estrangeiras e os venezuelanos terão mais renda conosco do que tiveram durante anos. Eles têm 62% do petróleo do mundo, mas uma produção pequena. E as empresas querem ir pra lá agora. Os nossos militares foram incríveis. Não precisamos de um segundo ataque”, disse.
O republicano também disse ter acabado com a entrada de drogas pelo mar nos Estados Unidos e pressionou os países a aumentarem seus gastos militares.
O conselho
Das poucas informações que foram divulgadas publicamente, o que se sabe é que o Conselho é uma estrutura criada para atuar na manutenção do cessar-fogo na Faixa de Gaza e na reconstrução dos territórios palestinos. A formalização do comitê estava acordada nos acordos mediados entre Israel e Hamas, que tinha outros 19 pontos, como a formação de um governo de transição supervisionado pelo Conselho.
A agência Reuters teve acesso ao estatuto. Segundo a reportagem, Trump terá um mandato vitalício como presidente da organização. Quem quiser entrar no Conselho terá que pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões) e os recursos serão administrados pela Casa Branca.
Trump teria, de acordo com a publicação, poderes para convidar e excluir membros segundo seus interesses.
A Casa Branca divulgou os 7 integrantes fundadores do Conselho: Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza, Jared Kushner, genro de Trump, Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial, Marc Rowan, empresário estadunidense, e Robert Gabriel, integrante do Conselho de Segurança Nacional.
Integram a fase inicial do conselho: Israel, Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Catar, Egito, Turquia, Hungria, Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai, Vietnã, Armênia, Azerbaijão e Belarus.
O convite foi estendido a outros 60 países, que ainda analisam a entrada. A China recusou nesta quarta-feira (21) a entrada no conselho e disse que defenderá “uma ordem mundial baseada na ONU”.
Outra a declinar do convite foi a Noruega. O país anunciou que não participará do grupo porque a criação da organização levanta “uma série de questões que exigem um diálogo mais profundo”.
