Donald Trump nunca escondeu seu desapreço por organismos e acordos internacionais. Em suas duas passagens pela presidência dos Estados Unidos, por exemplo, fez questão de retirar o país do Acordo de Paris, por exemplo. Agora, enquanto mantém Nicolás Maduro sequestrado em território estadunidense e ameaça tomar a Groenlândia, ele mira a Organização das Nações Unidas, que podem ser escanteadas caso saia do papel seu “Conselho de Paz”.
O que inicialmente era uma suposta iniciativa para coordenar a reconstrução de Gaza se tornou um projeto de nova organização que reuniria líderes de diferentes políticas e ideologias de todas as partes do mundo. Um novo ataque ao multilateralismo, na avaliação do professor Gustavo Menon, do programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam/USP).
“Trump tenta aproximar seus aliados para dar um último golpe às Nações Unidas. O interesse é fazer do Sistema ONU uma organização internacional zumbi, mas sem efetivamente dar respostas aos problemas contemporâneos”, disse Menon em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
O presidente dos EUA, porém, não para por aí. Ele parece não se importar em expor antigos aliados. Uma das vítimas mais recentes foi o presidente da França, Emmanuel Macron, que teve uma mensagem privada enviada a Trump exposta nas redes sociais. Tudo isso em meio às ameaças à Europa por conta da obsessão na Groenlândia.
“Trata-se de um pleito que já vinha sendo ventilado durante seu primeiro mandato. Trata-se de uma região estratégica em termos de defesa e de recursos naturais. Estamos falando de grandes reservas de petróleo, gás, urânio, terras raras, que envolvem o controle desse território por parte da Dinamarca”, explicou Menon, em referência à ilha no Ártico sob domínio da Dinamarca.
E Trump “não deve parar por aí”, segundo o especialista, que avalia, ainda, que o sequestro de Nicolás Maduro deixou o presidente dos Estados Unidos ainda mais motivado a interferir em outras áreas do mundo e violar princípios que regem o direito internacional.
“No fundo, a gente está falando do colapso da ordem internacional, que foi gestada, inclusive, a partir da atuação dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial”, resumiu. “Não há mais o próprio conceito de soberania. Não sabemos, nessa era de incertezas, o que será do dia seguinte”.
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