O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promoveu nesta terça-feira (20) uma entrevista coletiva para fazer um balanço de um ano de governo. Antes do pronunciamento a jornalistas, a Casa Branca distribuiu um documento de 31 páginas listando 365 medidas desde a posse do republicano.
O mandatário deu destaque para a sua nova recente ofensiva contra Groelândia, elevou o tom desafiador com a Europa. “Acho que chegaremos a um acordo que deixará a Otan muito satisfeita e nós também, mas precisamos dela [Groenlândia] para fins de segurança”, afirmou ele durante coletiva.
Questionado sobre possíveis ataques à região, respondeu: “Vocês vão descobrir”. “Algo vai acontecer que será muito bom para todos”, continuou.
No entanto, em outros momentos da coletiva, Trump fez questão de atacar a Otan, que tem respondido às ameaças de invasão do arquipélago. “Fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa, viva ou morta”, disse. “Ninguém fez mais pela Otan, e acho que a maioria das pessoas diria isso. Acho que você poderia perguntar ao Secretário-Geral sobre isso, mas nós já dissemos. Eu fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa, e vejo tudo isso, a Otan precisa nos tratar com justiça.”
Antes da coletiva, Trump havia postado uma montagem de Inteligência Artificial que mostra ele, ao do seu vice JD Vance, e o secretário de Estados , Marco Rubio, fincando a bandeira dos Estados Unidos na Groenlândia.
Em outra imagem, o mandatário aparece conversando com líderes europeus no Salão Oval, com um mapa do Hemisfério Ocidental gerado, na qual aparece um mapa com o Canadá, a Venezuela e a Groenlândia anexados aos Estados Unidos.
Em outro momento, Trump voltou a falar de sua frustração por não ter ganho o Prêmio Nobel da Paz em 2025, repetindo a informação de que teria acabado com oito guerras, além de reiterar seu projeto de criar um “Conselho da Paz” para Gaza, que poderia substituir a Organização das Nações Unidas (ONU).
“A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura desse potencial”, disse Trump. “A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu encerrei. Eu nunca recorri a eles, nunca sequer pensei em recorrer.”

Sobre o conselho, ele confirmou o convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar do grupo. “Eu gosto dele”, disse o estadunidense sobre o brasileiro. Lula, por sua vez, ainda não confirmou sua participação. Em evento no Rio Grande do Sul, o presidente brasileiro criticou Trump: “Quer governar pelo Twitter”.
Imigração
Apesar dos temas internacionais, boa parte da entrevista de Trump foi para responder aos protestos que vêm acontecendo no país, após a morte de Renée Good, cidadã estaudunindese nascida nos EUA. Ele mostrou diversas fotos de imigrantes presos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na silga em inglês) em Minnesota, imputando a eles vários crimes.
O mandatário dos EUA classificou a vítima e outros manifestantes como “agitadores profissionais”. Mais uma vez, o alvo da fala preconceituosa de Trump contra os imigrantes foram os somalis, um de seus alvos mais comuns: “Dizem que é o pior país do mundo. Se é que pode ser chamado de país, eu não acho que seja um país.”
