O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi às redes sociais para anunciar o envio de uma “enorme esquadra armada” para a região do Irã. Ele afirmou que os militares estão “prontos” para “cumprir sua missão“.
Os iranianos não baixaram a guarda. Também em postagem, o governo do país afirmou que está disposto a dialogar, mas, se for pressionado, “responderá como nunca antes“. O clima no Oriente Médio, mais uma vez, é de tensão. Entretanto, segundo o professor de Relações Internacionais Reginaldo Nasser, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o presidente dos EUA não se importa com a instabilidade vivida pelas pessoas da região.
“O cenário vai colocar o Oriente Médio em turbulência. Ninguém sabe quais serão as consequências. Para os EUA, o custo não é alto. Mas é alto para quem mora na região, e os EUA estão pouco se lixando com isso”, disse o especialista durante entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quinta-feira (29).
O objetivo declarado dos Estados Unidos é fazer com que os iranianos assinem um acordo nuclear com Washington. O país do Oriente Médio vive, desde os últimos dias de 2025, sob grave instabilidade política interna, com protestos que tomaram as ruas, insuflados pelos EUA e por seu maior aliado na região, Israel. As novas ameaças de Trump fizeram o cenário ficar ainda mais tenso.
“Analistas iranianos têm alertado para toda essa movimentação que os EUA têm feito. Também tem uma notícia de hoje que a Rússia iniciou retirada de seus cidadãos do país, de áreas próximas a usinas nucleares. Ao que tudo indica, pode ter um ataque, sim”, resumiu Nasser. “Não se sabe exatamente que tipo de ataque será esse, o que ele vai visar, no primeiro momento. Obviamente, não se sabe as consequências de uma reação por parte do Irã”.
Potências regionais, como Arábia Saudita e Catar, acompanham a movimentação com tensão. Segundo o especialista, os regimes dos dois países são contra a abertura de um novo conflito no Oriente Médio. A Europa colocou mais lenha na fogueira ao determinar nesta quinta-feira a inclusão da Guarda Revolucionária do Irã em uma lista de organizações terroristas. A postura também não surpreendeu Reginaldo Nasser. “Esse alinhamento da Europa com os EUA em relação ao Irã é histórico e não vai mudar.”
A Guarda Revolucionária se assemelha, em alguns aspectos, a um exército, mas tem um forte caráter político. Além disso, o grupo é titular de investimentos e administra importantes propriedades em território iraniano. Em linhas gerais, representa o eixo de defesa do regime iraniano.
“Em uma eventual ação dos EUA, especula-se que o papel principal na reação será da Guarda Revolucionária. O Irã tem capacidade de retaliação. Ele pode estar com sua defesa comprometida, mas consegue atingir”, resumiu.
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