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‘EUA estão pouco se lixando para quem vive no Oriente Médio’, diz especialista sobre ameaça de Trump ao Irã

Governo dos EUA sobe o tom nas ameaças e cria tensão entre países da região

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A photograph shows a newspaper with a headline in Persian reading “Iran is ready for a big response” at a kiosk in Tehran on January 27, 2026. A US naval strike group led by an aircraft carrier has deployed to Middle Eastern waters, the United States said on January 26, 2026, as Tehran warned it was ready to hit back at any American attack launched in response to a crackdown on anti-government protests. (Photo by ATTA KENARE / AFP)
Fotografia mostra um jornal com manchete em persa que dizia “O Irã está pronto para uma grande resposta” em uma banca de jornal em Teerã, em 27 de janeiro de 2026 | Crédito: ATTA KENARE / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi às redes sociais para anunciar o envio de uma “enorme esquadra armada” para a região do Irã. Ele afirmou que os militares estão “prontos” para “cumprir sua missão“.

Os iranianos não baixaram a guarda. Também em postagem, o governo do país afirmou que está disposto a dialogar, mas, se for pressionado, “responderá como nunca antes“. O clima no Oriente Médio, mais uma vez, é de tensão. Entretanto, segundo o professor de Relações Internacionais Reginaldo Nasser, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o presidente dos EUA não se importa com a instabilidade vivida pelas pessoas da região.

“O cenário vai colocar o Oriente Médio em turbulência. Ninguém sabe quais serão as consequências. Para os EUA, o custo não é alto. Mas é alto para quem mora na região, e os EUA estão pouco se lixando com isso”, disse o especialista durante entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quinta-feira (29).

O objetivo declarado dos Estados Unidos é fazer com que os iranianos assinem um acordo nuclear com Washington. O país do Oriente Médio vive, desde os últimos dias de 2025, sob grave instabilidade política interna, com protestos que tomaram as ruas, insuflados pelos EUA e por seu maior aliado na região, Israel. As novas ameaças de Trump fizeram o cenário ficar ainda mais tenso.

“Analistas iranianos têm alertado para toda essa movimentação que os EUA têm feito. Também tem uma notícia de hoje que a Rússia iniciou retirada de seus cidadãos do país, de áreas próximas a usinas nucleares. Ao que tudo indica, pode ter um ataque, sim”, resumiu Nasser. “Não se sabe exatamente que tipo de ataque será esse, o que ele vai visar, no primeiro momento. Obviamente, não se sabe as consequências de uma reação por parte do Irã”.

Potências regionais, como Arábia Saudita e Catar, acompanham a movimentação com tensão. Segundo o especialista, os regimes dos dois países são contra a abertura de um novo conflito no Oriente Médio. A Europa colocou mais lenha na fogueira ao determinar nesta quinta-feira a inclusão da Guarda Revolucionária do Irã em uma lista de organizações terroristas. A postura também não surpreendeu Reginaldo Nasser. “Esse alinhamento da Europa com os EUA em relação ao Irã é histórico e não vai mudar.”

A Guarda Revolucionária se assemelha, em alguns aspectos, a um exército, mas tem um forte caráter político. Além disso, o grupo é titular de investimentos e administra importantes propriedades em território iraniano. Em linhas gerais, representa o eixo de defesa do regime iraniano.

“Em uma eventual ação dos EUA, especula-se que o papel principal na reação será da Guarda Revolucionária. O Irã tem capacidade de retaliação. Ele pode estar com sua defesa comprometida, mas consegue atingir”, resumiu.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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