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Rússia anuncia trégua de três dias, enquanto Ucrânia teme piora de onda polar

Hungria alerta contra plano da União Europeia de incluir Ucrânia no bloco em 2027

O presidente russo, Vladmir Putin
O presidente russo, Vladmir Putin | Crédito: Maxim Shipenkov/POOL/AFP

A Rússia concordou em suspender os ataques à Ucrânia até 1º de fevereiro, atendendo a um pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de criar condições favoráveis ​​às negociações, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

“O presidente Trump solicitou pessoalmente ao presidente [Vladimir] Putin que se abstivesse de atacar Kiev por uma semana, até 1º de fevereiro, para criar condições favoráveis ​​às negociações. Isso é tudo o que posso dizer sobre o assunto”, declarou Peskov a jornalistas. O porta-voz confirmou que o Kremlin aceitou a proposta.

Trump afirmou que fez o pedido devido ao “frio extremo” na Ucrânia, enquanto o Kremlin afirmou que o apelo foi feito para ajudar nas negociações. A data do pedido não foi revelada pelo presidente estadunidense, nem por Moscou.

Peskov não mencionou que o pedido estivesse relacionado às temperaturas gélidas, apresentando a demanda como um apelo para facilitar as negociações, no contexto em que Washington defende o fim da guerra de quase quatro anos entre os países vizinhos.

Os ataques russos contra a rede energética da Ucrânia deixaram milhares de pessoas sem calefação em Kiev durante um inverno excepcionalmente frio. O pior da onda de frio deve chegar depois de 1º de fevereiro. A agência meteorológica da Ucrânia advertiu que as temperaturas podem cair a 30 graus negativos nos próximos dias.

“Pedi pessoalmente ao presidente Putin que não disparasse contra Kiev e as diferentes cidades durante uma semana”, disse Trump em uma reunião de gabinete na Casa Branca na quinta-feira (29), acrescentando que foi “devido ao frio, ao frio extremo”. O último ataque russo em larga escala contra Kiev aconteceu na noite de 23 para 24 de janeiro.

Troca de convites

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy convidou o presidente russo Vladimir Putin para uma reunião em Kiev, “se ele ousar”. Ele disse a jornalistas na sexta-feira (30) que estava pronto para qualquer formato de encontro, mas que não iria a Moscou ou à Bielorrússia, após um convite do Kremlin.

Zelenskyy disse que era “impossível” para ele se encontrar com Putin em Moscou, segundo a agência de notícias RBC-Ucrânia. “É o mesmo que me encontrar com Putin em Kiev. Eu também posso convidá-lo para Kiev, deixá-lo vir. Eu o convido publicamente, se ele ousar, é claro.”

O Kremlin afirmou na quinta-feira que a Rússia havia convidado novamente o líder ucraniano a Moscou para negociações de paz, mas não havia recebido resposta.

Denúncia da Hungria

A União Europeia planeja admitir a Ucrânia até 2027 para dar ao país acesso ao próximo orçamento do bloco, disse o primeiro ministro da Hungria, Viktor Orbán. Mas assim como Zelenskyy reforça sua meta de adesão em 2027, Orbán também se opõe à medida.

Em vídeos publicados pelo porta-voz internacional da Hungria, Zoltán Kovács, Orbán afirmou que, durante a última cúpula da UE, os líderes receberam um documento descrevendo os planos de Bruxelas para admitir a Ucrânia em 2027.

“Eles querem admitir a Ucrânia em 2027. Isso porque querem dar dinheiro à Ucrânia do orçamento, o orçamento europeu de sete anos que começa em 2028. Isso significa… que esse dinheiro será tirado de nós, europeus centrais”, disse ele.

“Portanto, há um prazo limitado para trazer a Ucrânia para a UE antes do início do próximo orçamento de sete anos”, acrescentou.

Orbán disse que a Ucrânia “não pode proteger a Europa da Rússia” e que, em vez de fortalecer a Europa, estaria “nos arrastando para a guerra”.

“O dinheiro que damos ou queremos dar à Ucrânia deveria ser usado para desenvolver os exércitos e os equipamentos dos países europeus. Nossa linha de defesa contra a Rússia não é a fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, mas sim onde termina a fronteira da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]”, disse ele.

Ele afirmou que a Ucrânia deveria ser mantida entre os dois blocos por segurança.

Editado por: Maria Teresa Cruz

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