Em mais um de seus já tradicionais recuos de discurso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, baixou o tom ao falar do Irã e disse que espera chegar a um acordo com Teerã sobre o programa nuclear. Os iranianos se dizem prontos para negociações, mas com condições. Apesar das sinalizações sobre um possível acordo, porém, não está descartado um ataque estadunidense, na avaliação do analista de geopolítica Marco Fernandes.
Em participação no jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Fernandes lembrou que o regime trumpista já deslocou um grande aparato de guerra para o Oriente Médio. Um eventual ataque não ficaria sem resposta, e isso poderia desencadear um conflito que atingiria outros países do Oriente Médio.
“Os Estados Unidos não deslocariam porta-aviões, navios de apoio e caças [se não houvesse esse plano]. É muito caro fazer isso. Pode ser um blefe, mas seria um blefe muito caro”, afirmou.
Para Fernandes, uma guerra envolvendo diferentes países no Oriente Médio pode escalar para um conflito de escala mundial. Até por isso, líderes de países como a Arábia Saudita já se manifestaram contra um possível ataque ao Irã.
“De fato, é um momento muito tenso, mais um, que estamos vivendo, com essa sanha imperialista de um império decadente. [Os Estados Unidos] estão indo agora para o tudo ou nada”, resumiu.
Enquanto isso, o cenário interno do Irã é de tensão desde dezembro, quando começaram a ser realizados protestos nas ruas, inicialmente motivados por questões econômicas. Os atos foram insuflados por Trump e por autoridades israelenses, o que fez a pressão interna ficar ainda maior.
“A situação no Irã é complicada há 47 anos”, diz, em referência à revolução islâmica iraniana de 1979. “Desde o primeiro dia da revolução que o Irã é alvo de sanções, de tentativas de golpe. E agora a gente tem uma nova onda”.
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O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
