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Bloco comercial de Trump para minerais críticos é ‘ação anti-China’, afirma diretor do Climainfo

Para Délcio Rodrigues. o Brasil não deveria entrar de maneira nenhuma, já que a China é importantíssima para o país

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Jim Watson/AFP

O governo de Donald Trump convidou o Brasil e pelo menos outros 54 países para participar de um bloco comercial específico para negociação de minerais críticos. Segundo informou o canal CNN Brasil, o governo brasileiro aguarda a formalização do convite antes de decidir se vai ou não integrar a iniciativa. Para o físico Délcio Rodrigues, diretor executivo do instituto Climainfo, o melhor caminho é recusar a proposta.

Entrevistado nesta quinta-feira (5) pelo jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Rodrigues destacou que a China, hoje, domina esse mercado globalmente. Além de ter terras raras em seu território, explora os minerais, por exemplo, em países africanos. Os Estados Unidos ficaram para trás nesse processo e tentam conter os danos.

“É essencialmente um bloco anti-China”, afirmou o físico, comparando com outras ações do governo Trump. “A ação na Venezuela é uma ação anti-China; a ação no Irã, é anti-China”.

Assim como no convite recebido para integrar o Conselho de Paz criado por Trump, o governo Lula pode ter, agora, mais um abacaxi diplomático para descascar, caso o bloco comercial sobre minerais críticos seja efetivamente lançado.

“Na minha opinião, o Brasil não deveria entrar nisso de maneira nenhuma. A parceria com a China é importantíssima para o Brasil, hoje, e é mais um enfrentamento que o governo Lula vai ter que fazer”, avaliou o diretor executivo do Climainfo.

O especialista explicou que a definição sobre “minerais críticos” não é clara, e faltam critérios técnicos e científicos para limitar a abrangência do termo. Ainda assim, é possível afirmar que, em alguns casos, é extremamente difícil ter acesso a alguns dos minerais que, em essência, se encaixam na definição. Um deles é o lantânio, utilizado, por exemplo, em baterias de veículos híbridos.

“Para eu conseguir um quilo de lantânio é preciso mover uma tonelada de solo, basicamente. É necessário também um processo químico muito forte, para conseguir, no fim, ter um quilo. Imagine a quantidade de solo que precisa ser movido e passar por processos químicos para obter alguma coisa industrializável. O processo de mineração, em si, vai ser muito agressivo”, alertou.

Caso o Brasil passe a explorar esse tipo de mineração, especialmente sem as tecnologias adequadas, as consequências podem ser desastrosas.

“A mineração é um problema ambiental e social enorme no Brasil, e não só de terras raras. A gente vê a ação da Vale, por exemplo, com todos os problemas com degradação das paisagens e de biomas como a questão dos acidentes”, destacou. “Se a gente já teve esses problemas com Brumadinho e Mariana, pode criar mais um monte de pilha de rejeitos. Pode mexer com lençol hídrico, problemas com poeira. Existe uma série de questões de saúde com esse novo tipo de mineração”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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