Fundado em 10 de fevereiro de 1980, o Partido dos Trabalhadores (PT) completa 46 anos nesta terça-feira consolidado como a maior força progressista da América Latina e o partido que mais tempo governou o Brasil. Em um balanço sobre a trajetória, o deputado federal e presidente estadual do PT-SP, Kiko Celeguim, defendeu que a importância da legenda vai além das vitórias eleitorais. “O PT, na minha opinião, fez história e foi fundamental na construção democrática do país”, afirmou em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Para Celeguim, a essência do partido está em suas origens. “O PT não é fruto de um racha de deputados ou de um grupo regional. É um partido que surge da luta dos trabalhadores”, destacou, citando a convergência de militantes das comunidades eclesiais de base, do movimento estudantil e da resistência à ditadura. Essa gênese, segundo ele, forjou uma “identidade nacional” rara e um vínculo orgânico que permitiu “não só ser um partido vitorioso nas urnas, mas implementar conquistas importantes para a população”.
Questionado sobre a crítica recorrente de que o PT se distanciou de suas bases, Celeguim reconheceu a existência de uma contradição intrínseca à experiência de governar. “Governar significa apresentar resultados e, no jogo democrático, se submeter às regras. Muitas vezes, em função da conjuntura, você é obrigado a desenvolver parte da agenda, não na totalidade”, analisou.
Essa tensão, entre ser um partido “disruptivo”, que questiona privilégios, e um partido de governo, gerou, em sua avaliação, ciclos de aproximação e afastamento. “Quando a gente foi capaz de apresentar resultados reais de melhora na qualidade de vida, o voto vinha. Em momentos de crise, a conjuntura não possibilita um ganho tão grande, até perdemos os aspectos [de base]”. A solução, para o deputado, está em “encarar os problemas com maturidade” e reforçar a imagem do PT como a legenda que, “por mais que tenha contradições, ainda é muito importante na luta social e na garantia de direitos”.
Sobre a popularidade do presidente Lula, que oscila em um patamar considerado um “teto” na casa dos 50%, Celeguim vinculou o fenômeno à polarização global, agravada por uma economia que cresce gerando desigualdade. “De 2008 para cá, o Ocidente tem tido mais dificuldade de crescer. Quando cresce, cria mais desigualdade, porque cresce a partir dos interesses do mercado financeiro”. A campanha de 2026, na sua visão, será uma oportunidade de comparar concretamente a vida no governo Bolsonaro e no governo Lula, focando em itens como poder de compra, retomada de programas sociais e investimento em saúde e educação.
Questionado sobre a sucessão de Lula em 2030, o presidente do PT paulista admitiu que não há um “sucessor natural”, mas negou que isso se deva à falta de quadros. “Temos governadores de êxito, senadores, deputados, ministros com capacidade de herdar esse patrimônio”, ressaltou. O desafio, segundo ele, é consolidar as transformações em curso para que o partido, como instituição, possa “oferecer nomes através de programas sérios” no futuro.
A estratégia para São Paulo: frente ampla e agenda de renda
Falando sobre o ano eleitoral, Celeguim minimizou pesquisas que apontam o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como franco favorito à reeleição em São Paulo. “Qualquer pesquisa de intenção de voto neste momento está muito distante do que vai acontecer”, argumentou, classificando eleições estaduais como tradicionalmente “mornas”.
Ele aposta em uma combinação de desgaste do adversário e uma ofensiva baseada na agenda de renda do governo federal. “O Tarcísio vai para uma eleição com ‘chope meio aguado’”, criticou, listando as privatizações, o aumento abusivo de contas de água da Sabesp e a ampliação de pedágios como fatores de descontentamento. Do lado petista, a estratégia é destacar medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o aumento real do salário mínimo e programas como o Vale Gás. “No final do dia, isso é renda na bolsa das pessoas”.
Sobre o candidato, Celeguim sinaliza flexibilidade. “Nós estamos muito mais preocupados na construção de uma grande frente com partidos progressistas. Se for necessário apoiar alguém de outro partido, nós vamos fazer”, afirmou, reforçando o objetivo maior de “enfrentar o bolsonarismo, que não tem absolutamente nenhum respeito pela democracia”.
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