FUTURO DA OTAN

‘EUA não são fortes o bastante para seguirem sozinhos’, diz chanceler alemão para líderes em Munique

Mas Merz acredita que EUA ainda podem exaurir a Rússia econômica e militarmente para pressionar por solução na Ucrânia

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Friedrich Merz
Friedrich Merz | Crédito: AFP

Os Estados Unidos, agindo sozinhos, atingiram os limites de seu poder e podem já ter perdido seu papel de liderança global, alertou nesta sexta-feira (13) o chanceler alemão, Friedrich Merz, na abertura da Conferência de Segurança de Munique. Merz, no entanto, também apontou que é ainda possível aos EUA exaurir a Rússia econômica e militarmente, a ponto de levá-la a se sentar à mesa de negociações sobre a Ucrânia.

Em discurso concebido para estabelecer um tom firme, porém conciliatório, sobre o futuro da parceria transatlântica, Merz argumentou que a velha ordem chegou ao fim e que, nesta nova era de superpotências, até mesmo os EUA estavam atingindo os limites de sua atuação isolada.

“Receio que devamos ser ainda mais diretos. Essa ordem, por mais imperfeita que tenha sido mesmo em seus melhores momentos, não existe mais nessa forma.”

Mudando para o inglês para reforçar sua mensagem, Merz disse: “Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão fortes o suficiente para seguir sozinhos. Caros amigos, fazer parte da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] não é apenas uma vantagem competitiva para a Europa. É também uma vantagem competitiva para os Estados Unidos.

“Portanto, vamos reparar e revitalizar juntos a confiança transatlântica”, acrescentou. O discurso do chanceler alemão abriu o encontro anual de importantes figuras da segurança global, incluindo muitos líderes europeus e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Na conferência do ano passado, realizada algumas semanas após o início do segundo mandato de Trump, o vice-presidente americano, JD Vance, surpreendeu os líderes europeus ao discursar sobre o estado da democracia e da liberdade de expressão no continente – um momento que definiu o tom do último ano.

Os líderes europeus buscam reforçar as relações com Washington, insistindo que estão fortalecendo suas defesas segundo as exigências de Trump, em um momento que Merz e outros descrevem como de “turbulências”. A Conferência de Munique acontece em plena crise de confiança entre americanos e europeus, depois que o magnata estadunidense ameaçou confiscar a Groenlândia e criticou o histórico dos países europeus em matéria de imigração.

Além disso, desde seu retorno à Casa Branca, Trump critica frequentemente os países europeus por não compartilharem suficientemente o custo da defesa comum.

A guerra da Rússia contra a Ucrânia, que completa quatro anos este mês, estará em destaque na agenda, juntamente com os esforços dos membros europeus da Otan para aumentar seus orçamentos de defesa diante do temor de que Moscou tente se expandir para seus territórios. Merz e o presidente francês, Emmanuel Macron, tinham prevista uma reunião na tarde desta sexta-feira com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e com Zelensky para conversar sobre a Ucrânia, na qual Rubio, que chegou na mesmo dia, também é esperado.

A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está “pronto para assumir mais responsabilidade pela nossa própria segurança”, depois que Trump colocou isto em dúvida.

Marco Rubio deverá falar na reunião anual no sábado, assim como o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, segundo os organizadores. No sábado, também é aguardado um discurso por videoconferência da vencedora Prêmio Nobel da Paz de 2025, a golpista venezuelana María Corina Machado.

Analistas esperam que Rubio não ofenda gratuitamente os europeus como fez DJ Vance no ano passado. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e seu par groenlandês, Jens Frederik Nielsen, afirmaram que discutiriam sobre a questão da Groenlândia com Rubio à margem da conferência.

Ao todo, mais de 60 chefes de Estado e de governo e cerca de 100 ministros das Relações Exteriores e da Defesa viajaram a Munique em meio a fortes medidas de segurança.

Rubio também se reuniu nesta sexta-feira com seu par chinês, Wang Yi, à margem da conferência, segundo um jornalista da AFP, em um momento de tensões crescentes entre Washington e Pequim.

Editado por: Luís Indriunas

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