não foram poucos

Após protestos e recomendação do MP, Nunes assume que houve problemas no carnaval de rua

Prefeito de SP segue normalizando caos que afetou milhares de pessoas no último domingo na Rua da Consolação

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Prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB)
Prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) | Crédito: JFDiorio/Secom

Enfim, o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) admitiu que houve problemas no último domingo (8), quando um caos generalizado tomou conta da Rua da Consolação, durante o desfile de dois megablocos no local.

O mandatário se pronunciou na noite de sexta-feira (13) a jornalistas, durante o primeiro dia de desfiles das escolas de samba no Sambódromo do Anhembi.

“Terminou o evento, a gente faz uma reunião de avaliação [para fazer ajustes], pra ver onde foram os problemas. E, no domingo, o grande problema foi a paralisação do caminhão. A questão das rotas de saída, de liberar a Praça Roosevelt. A gente vai sempre olhando [pra melhorar]. A gente não pode transformar o nosso carnaval de rua em questão de cancela e cobrança de ingresso. Ele é aberto. Então, a gente vai sempre estar se aprimorando para que as pessoas venham se divertir e a gente chegar no final e dizer: ‘não aconteceu nada de grave’”, afirmou.

Inicialmente, Nunes havia classificado o evento como um “sucesso”, o que gerou uma série de críticas diante da situação que milhares de pessoas enfrentaram devido a superlotação e a falta de planejamento para lidar com a multidão

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) afirmou que a prefeitura de São Paulo está “fazendo o Carnaval do caos”. “Não sou daqueles que torce contra. Espero que o Carnaval seja um sucesso cultural. Mas o que estamos vendo é uma falta de planejamento que pode levar a situações muito ruins”, disse, em entrevista ao Conexão BdF de sexta-feira.

Bonduki também contesta o argumento de que havia 1,5 milhão de pessoas na Consolação naquele dia. “A prefeitura estimula uma ideia besta de que São Paulo pode ser o maior Carnaval do Brasil, mas não considera que as ruas têm capacidade limitada. Na Consolação não cabe nem 300 mil pessoas com segurança. E a prefeitura fala em 1,5 milhão”, afirmou.

Ao longo da semana, a população também se manifestou para criticar o evento e a gestão de Nunes frente ao carnaval de modo geral.

Representantes de 69 blocos de rua da capital paulista protestaram na noite de quinta-feira (12), reivindicando melhores condições de organização e participação para a realização do carnaval de rua. Segundo os manifestantes, o governo Nunes está inviabilizando o carnaval de rua, ao determinar regras e restrições nas atividades.

“Em nenhum lugar do Brasil, o Carnaval acaba tão cedo quanto em São Paulo”, destacou Lira Alli, organizadora do Arrastão dos Blocos.

Na quarta-feira (10), o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) encaminhou ao governo Nunes uma recomendação para a liberação do desfile dos pequenos blocos durante o Carnaval de 2026. A orientação é direcionada aos blocos que não receberam autorização após realizar cadastro no sistema da SPTuris, empresa de eventos e turismo da cidade.

O ofício, emitido pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, é resultado de uma representação apresentada pela Bancada Feminista.

Além disso, após os episódios, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito preliminar para apurar a superlotação e os problemas ocorridos no último domingo.

Editado por: Rodrigo Gomes

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