Qualquer tipo de tribo, qualquer tipo de gênero, qualquer tipo de religião ou qualquer tipo de ideologia têm o seu espaço garantido na Cidade Baixa. Cada um vai achar o seu local para se divertir, levar a vida em frente e tocar o seu barco para qualquer lugar.
Esta é a proposta da BAHxaria Gastronomia Erótica, na Sarmento Leite, 921, conforme conta o proprietário Paulo Ferre, 64 anos. “Aqui não há espaço para qualquer discriminação”, diz ele. O local é especializado em waffles eróticos, uma maneira de se divertir e tornar a vida mais leve e alegre. Há de todos os tipos. O cardápio é interessantíssimo para quem tem a mente aberta e não está disposto ser careta ou moralista.

Ela foi fundada em 2022, depois da pandemia, e vem fazendo sucesso com a gurizada, público 30+, LGBTQIA+ e turistas de vários cantos do país. “Todo mundo chega aqui e diz que não viu nada igual”, conta Ferre. O movimento é frequente durante todos os dias da semana. Vai esquentando dia a dia para ver as novidades da waffleria (é um tipo de massa doce de origem belga, confeccionado com farinha, açúcar, manteiga, ovos e leite, cozido num molde onde é prensado em um ferro que imprime texturas quadriculares sobre a massa). E são muitas, sempre agradam na forma que se apresentam em chocolate e morango. Há ainda drinques e bebidas na BAHxaria.
Ideia veio de uma padaria baiana
Os fundadores foram os amigos Gabriel Leonardo Santos e João Pedro Machado. Gabriel visitou a Bahia em 2022 e se encantou com o modelo de negócio que viu por lá, uma padaria erótica, ideia importada dos Estados Unidos. Ligou para João, e depois de muita conversa, convenceu o amigo a montar um negócio deste tipo em Porto Alegre. Com outro formato. Outro produto. Não uma padaria. Mas uma waffleria. Depois foram em busca de um local. Nada melhor do que a Cidade Baixa, onde transitam pessoas e mentalidades diferenciadas, “tribos sem preconceito”, como insiste Ferre. Se instalaria na Cidade Baixa, limite com o Centro Histórico.
“Não encontramos nenhuma aqui no estado, então vimos que existia a oportunidade de investir nesse nicho de mercado”, declara João, que vinha da gerência financeira de um grupo de restaurantes. Gabriel pertencia ao ramo da saúde. Ambos viam que tinham muito a aprender para tornar o novo nicho de mercado atraente e lucrativo. Aprender sobre funcionários, contabilidade, essas coisas que movimentam uma empresa.

Foram oito meses entre planejamento e obras, até que a empresa abriu as portas oficialmente em novembro de 2022. De imediato, foi um sucesso, matéria em jornais, rádios e tevês. E o público e os turistas foram chegando. Não havia o que reclamar. Abriram página no Instagram dois meses antes de abrir, e já tinha muita gente curiosa, buscando informações. Logo, logo, chegaram a dez mil seguidores, quando o projeto virou uma loucura, se tornou um viral, um fenômeno, relata João.
Não há mesas ou cadeiras para consumo no local. “O pessoal acaba ficando mais na rua, o que desperta a curiosidade de quem está passando, querem saber o que tem aqui, às vezes acaba até causando trânsito na rua”, disse Gabriel, em reportagem feita na época da abertura e que está afixada na parede do estabelecimento. O espaço é todo cor-de-rosa e, apesar de pequeno, é repleto de detalhes temáticos, com uma parede instagramável e um letreiro néon.
Mudança de rumos na enchente

Estava tudo em perfeita ordem e avanços até 2024, quando veio a enchente. Desanimados, sem vontade de retornar, já que perderam quase tudo, resolveram fechar e optaram por outros projetos pessoais. Mas a loja não fechou. Amigo do pai de João, Paulo Ferre, que estava morando em Curitiba, foi convencido a assumir o negócio. E aceitou a proposta. Deu certo. Hoje, mais de dois anos por ali, ele está satisfeito. Incrementou a loja, invadiu todas as redes sociais possíveis, chamando pessoas de todos os bairros a conhecer a BAHxaria. E está dando certo.
“Meu sucesso é a divulgação. Pulverizei o público. Muita gente, nada específico. Aqui, as pessoas se mostram como elas de fato são, se revelam, sentem a liberdade em todos os sentidos. A Cidade Baixa e a BAHxaria contribuem com este estado de espírito. Estou contente com as nossas conquistas”, conta Ferre.

A proximidade com o público sempre foi um dos diferenciais do negócio. A waffleria chegou a ter mais de 125 mil seguidores no Instagram, muitos conquistados com os vídeos de humor gravados pela equipe da loja. Conforme o proprietário, as postagens são frequentes e estamos ampliando nossas atrações. Agora, a ideia é fazer despedidas de solteiros, formaturas, aniversários ou simplesmente festinhas de qualquer tipo.
A próxima ideia também já está em andamento. É comprar um Fast Truck, montar a cozinha e sair a rodar por eventos na cidade para mostrar os produtos. “Tenho certeza que vai ser um sucesso pelas cores do caminhão e pelos produtos que vai oferecer, será bem divertido e vai render bons dividendos”, garante Ferre. “No verão, vamos para o Litoral Norte, percorrer as praias. Faremos um marketing poderoso e vai despertar a curiosidade dos veranistas. Estou muito otimista”, diz.
Gastronomia

A BAHxaria tem um cardápio variado. O lema do estabelecimento é “Se cru já é bom, imagina assado”. Entre os waffles de chocolate e morango há nomes curiosos e que fazem sucesso como Peti Gatô, Arreganhada, Tet@o, Maminh@, M@maeu, M@m@ e tantos outros. “O objetivo é despertar a curiosidade do freguês a repetir a dose. São salgados, doces ou, se o cliente preferir, pode montar o seu próprio waffle e do modelo que bem entender. “É uma loja sadia, não provocamos e nem fizemos bandalheiras”, diz Ferre.
Os preços variam entre R$ 30,00 e R$ 40,00 por unidade. Há também suvenires da loja, como bonecos de pelúcia, canudos temáticos e, no futuro, até bonés com o nome da loja. “O erotismo é um ingrediente da vida e ele aqui é bem explorado, divertido e curioso. Nós ganhamos até certificado de qualidade pelo ambiente e nossos produtos de um jornal local.”
