corrida eleitoral

Ao deixar Caiado sem base no Nordeste, PSD reforça estratégia de priorizar Congresso, avalia cientista político

Isaac Luna aponta que Kassab escolheu fortalecer palanques estaduais competitivos e garantir domínio na Câmara

Da esquerda à direita: Eduardo Leite, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Gilberto Kassab | Crédito: Reprodução/X/Gilberto Kassab
Da esquerda à direita: Eduardo Leite, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Gilberto Kassab | Crédito: Reprodução/X/Gilberto Kassab

A decisão do PSD de liberar seus diretórios estaduais no Nordeste para apoio a diferentes candidaturas em 2026 expõe uma estratégia pragmática do partido e também os limites da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na região, que já era vista como precária.

“Caiado não tem capilaridade no Nordeste e por isso o presidente [do PSD] Gilberto Kassab liberou. O Kassab sabe que a missão de eleger o número máximo de deputados federais, que é a principal meta, depende da viabilidade dos palanques nos estados”, avalia o cientista político Isaac Luna, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A imagem de Ronaldo Caiado, desde 1989, é muito ligada à extrema direita. Já o Nordeste é, historicamente, alinhado a projetos de esquerda e ao eleitorado do presidente Lula. “O Nordeste passou décadas com pouca atenção do governo federal, e desde o primeiro governo Lula houve uma mudança significativa. Isso se reflete no nível de aprovação do presidente na região”, afirma.

Por essa razão, Luna aponta que a candidatura de Caiado já nasceu precária. “Caiado é ligado às pautas do agronegócio e da segurança pública, sem aderência nenhuma desse discurso no Nordeste. Evidentemente, o Nordeste tem um eleitorado bolsonarista consolidado e em crescimento, mas que segue fielmente as orientações de Jair Bolsonaro. Sem a bênção dele, o Ronaldo Caiado não terá palanque no Nordeste”, pontua.

O cientista político avalia que a eventual candidatura de Caiado pode assumir um papel secundário no campo da direita, especialmente se houver a consolidação de um nome mais diretamente associado ao bolsonarismo, como vem sendo construído o de Flávio Bolsonaro, herdeiro direto do capital político do pai. “Seria uma candidatura auxiliar à candidatura do Flávio Bolsonaro, que atuará mais ou menos como o Padre Kelmon atuou na eleição passada, fazendo uma artilharia paralela contra a candidatura do presidente Lula e deixando o Flávio mais livre para apresentar propostas”, explica.

Isaac Luna também pondera que, mesmo com o crescimento da influência política de cidades médias e do interior, tendência observada nas últimas eleições, esse movimento tende a beneficiar candidaturas mais diretamente vinculadas ao bolsonarismo do que o governador goiano. Assim, o cenário que se desenha no Nordeste é de baixa densidade eleitoral para Caiado, enquanto o PSD, ao priorizar sua estratégia legislativa, reforça um modelo descentralizado que dificulta a construção de uma candidatura presidencial competitiva a partir do partido.

Para ouvir e assistir

É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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