OUTRO BLEFE?

Teerã envia proposta para fim da guerra; Trump diz que ‘uma civilização inteira morrerá’ hoje

Irã quer garantias de que paz seja duradoura

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Um estudante iraquiano segura um retrato do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante uma manifestação anti-EUA e anti-Israel em Bagdá, em 7 de abril de 2026
Estudante iraquiano segura um retrato do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante uma manifestação anti-EUA e anti-Israel em Bagdá | Crédito: Ahmad Al-Rubaye/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que “toda uma civilização morrerá” no Irã na noite desta terça-feira (7), caso o governo inimigo não se curve ao seu ultimato. Teerã, no entanto, já havia divulgado proposta para o fim do conflito, condicionando-o ao encerramento definitivo dos ataques.

“Toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais retornar. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “QUEM SABE?”, acrescentou.

O magnata não forneceu detalhes, mas já havia declarado anteriormente que as forças armadas de seu país poderiam bombardear pontes, usinas de energia e outras infraestruturas civis do Irã para fazer o país regredir à “Idade da Pedra”. O ultimato expira às 20h, horário local de Washington (21h em Brasília).

Analistas especulam que, embora o uso de armas nucleares seja improvável, é possível que o magnata use o armamento chamado discombobulator, que, segundo ele, desabilitou o sistema de defesa venezuelano e permitiu o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Outra possibilidade aventada é o uso de bombas blackout, que desligam o sistema elétrico do inimigo, como já feito contra o Iraque em 1991 (desabilitando 85% da cobertura elétrica do país) ou contra a Sérvia em meados da década de 1990, desligando mais de 70% do sistema elétrico do país durante as guerras nos Bálcãs.

Quando questionado por jornalistas sobre suas condições exatas para encerrar as hostilidades, Trump respondeu: “Um acordo que me satisfaça”.

Esse acordo que neutralizaria a ordem de bombardeio deve incluir, acima de tudo, a renúncia do Irã à posse de armas nucleares, enfatizou o republicano. Desde a década de 1990, a mais alta autoridade iraniana, o supremo líder aiatolá Khamenei, proibiu a aquisição e desenvolvimento de armas nucleares, decreto que segue válido.

Trump afirmou, em algumas ocasiões, que a reabertura do Estreito de Ormuz também era uma condição indispensável, embora tenha dito que, para os Estados Unidos, isso não é absolutamente necessário. Em sua publicação no Truth Social desta terça-feira, o presidente pareceu deixar a porta aberta para um acordo de última hora.

“Agora que temos uma mudança de regime completa e total — em que mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem — talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer. QUEM SABE?”, explicou.

“Saberemos esta noite — um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. Quarenta e sete anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim”, afirmou.

Proposta iraniana

O governo iraniano, com a mediação do Paquistão, apresentou, na segunda-feira (6), sua resposta formal à proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos. O documento de 10 pontos rejeita categoricamente uma trégua temporária e exige a cessação completa das hostilidades para garantir a estabilidade regional.

A agência de notícias oficial IRNA informou que a posição de Teerã surge após duas semanas de deliberações de alto nível. O texto iraniano prioriza o fim da guerra em detrimento de qualquer pausa parcial e faz exigências específicas, como o levantamento das sanções, o estabelecimento de protocolos de segurança no Estreito de Ormuz e o início dos esforços de reconstrução.

A proposta de Teerã se baseia em quatro pilares: o fim definitivo da guerra e das hostilidades regionais, o levantamento completo das sanções econômicas, o estabelecimento de um protocolo de passagem segura pelo Estreito de Ormuz e a garantia de um forte compromisso internacional com os esforços de reconstrução.

Teerã mantém a posição de não ceder à pressão militar, condicionando a estabilidade da região ao respeito absoluto à sua soberania e ao fim definitivo da intervenção estrangeira. Trump descreveu a resposta iraniana como importante, embora “insuficiente”.

Anteriormente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, havia descrito o plano inicial de 15 pontos dos EUA como “exagerado, incomum e ilógico”. Baghaei enfatizou que as negociações são incompatíveis com ultimatos ou ameaças de crimes de guerra.

Editado por: Rafaella Coury

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