O frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã foi colocado em xeque depois que Israel atacou o Líbano e ilhas iranianas foram atingidas por bombardeios. Diante do desrespeito à trégua, Teerã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz.
Para Giorgio Romano Schutte, coordenador do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), o cenário evidencia que Israel e Estados Unidos têm motivações muito diferentes para a guerra contra o Irã.
“A essa altura já está claro que os interesses dos EUA são muito diferentes do de Israel. E quem convenceu que [a guerra no Irã] seria uma coisa rápida, precisa e limpa foi Netanyahu. Israel quer continuar, ele quer derrubar o regime [iraniano]”, avalia o professor em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
“Esse ataque ao Líbano nem 24 horas depois do cessar-fogo é claramente uma provocação de Israel para testar até onde os Estados Unidos estão juntos”, afirma.
“Os EUA e o Irã querem terminar essa guerra por motivos variados. A grande maioria da população dos Estados Unidos é contrária à guerra e, portanto, para Trump essa situação é extremamente inconveniente. Ele já entendeu que não vai conseguir abrir o estreito sem uma negociação”, pontua.
Os dois países concordaram em sentar à mesa mediados pelo governo do Paquistão nesta sexta-feira (10) a fim de negociar um fim definitivo para o conflito. A reunião foi anunciada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito, e vai acontecer na capital paquistanesa Islamabad.
Schutte acredita que, embora Trump seja imprevisível, ele sabe dos limites da aliança com Israel. “Não acho que ele vai arriscar o controle da Câmara, do Senado para agradar Netanyahu. O Irã não aguenta mais, os Estados Unidos não aguentam mais, o mundo não aguenta mais [a guerra]. Não é possível isso, que os Estados Unidos, o mundo fique refém de Netanyahu”, afirma o professor.
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