Oriente Médio

Privatização da BR Distribuidora deixou país sem ferramenta para conter disparada do diesel em meio a guerra

Dirigente do Sindipetro-NF diz que venda realizada no governo Bolsonaro inviabilizou controle de preços dos combustíveis

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Na imagem, um frentista uniformizado, sem que apareça seu rosto, segura um bico de abastecimento com suporte vermelho
Governo federal anuncia medidas para conter alta dos combustíveis | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo brasileiro anunciou um pacote de ações para conter a alta dos preços dos combustíveis – diesel, biodiesel e querosene – e gás de cozinha na última segunda-feira (6). A disparada dos preços está relacionada à guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. O país persa possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo e é o terceiro maior produtor global. Para o diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Johnny Souza, é preciso colocar nessa conta da disparada de preços a falta de investimentos na produção de diesel e a privatização da BR Distribuidora em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Isso porque, infelizmente, a BR Distribuidora, que era a principal ferramenta da Petrobras para o controle de preços foi privatizada. Então, nem o governo nem a Petrobras têm condições hoje de controlar esse preço para o consumidor final”, disse o sindicalista ao Brasil de Fato. Em meio a privatizações que tiram o poder do estado de regular itens essenciais da economia, ele acrescenta que considera importante uma campanha para fortalecer a imagem das estatais entre a população com exemplos ao redor do mundo. Entre os casos mais frequentes estão a reestatização dos serviços de água e energia em cidades como Paris e Berlim. “É preciso evidenciar que empresas estratégicas devem permanecer estatais e reunir exemplos de lugares no mundo onde privatizaram e deu errado, inclusive no Brasil”, completa.

O preço médio do litro do diesel vendido hoje no estado do Rio de Janeiro está em R$ 7,39, enquanto no Brasil é de R$ 7,57, de acordo com a Petrobras. Enquanto a gasolina está em R$ 6,78. Desde 2022 houve essa virada nos preços, em que o diesel passou a custar mais caro do que a gasolina. A guerra entre Rússia e Ucrânia foi um dos fatores para o aumento global pela demanda de diesel, uma vez que a Europa deixou de usar o gás importado da Rússia.

Além do contexto internacional, há explicações internas para esse aumento de preço. “As refinarias brasileiras não são focadas na produção de diesel. O governo tentou uma iniciativa com a Petrobras de construção da Refinaria [Abreu e Lima] RNEST em Pernambuco, mas essa refinaria ainda não está 100% completa”, diz Souza.

A guerra no Oriente Médio acendeu o alerta na Petrobras. E em 1º de abril, a presidente da estatal, Magda Chambriard, anunciou que iniciará estudos para tornar o país autossuficiente em diesel em cinco anos. Atualmente o Brasil importa 30% do diesel consumido no país.

Medidas

Os principais anúncios estão relacionados ao preço do diesel, por ser o principal combustível destinado ao transporte de cargas, em um país que depende do transporte rodoviário para a chegada de alimentos. A importação do diesel terá uma subvenção de R$ 1,20 por litro e será dividida entre União e estados que aderirem e será válido, inicialmente, por dois meses.

Há também um incentivo para a produção de diesel no Brasil de R$ 0,80 por litro, bancado apenas pela União. Esse incentivo se soma ao de R$ 0,32/litro criado em março pela Medida Provisória 1.340.

Para garantir que os descontos cheguem ao consumidor final, o governo informou que aumentará a fiscalização para impedir que agentes se recusem a vender combustível ou pratiquem preços abusivos.

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Contexto global

O anúncio do governo federal foi realizado um mês após os ataques iniciados por Israel e Estados Unidos e que levaram ao assassinato do então líder supremo do país persa Ali Khamenei. Assim como se pronunciou após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da deputada Cília Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que seu objetivo é econômico.

Em discurso realizado em 6 de abril, Trump afirmou que se fosse por ele, ficaria com o petróleo do Irã e “ganharia muito dinheiro”. No entanto, ele admitiu que a população americana prefere que as tropas enviadas para a guerra voltem para casa. A guerra foi responsável pela queda de popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu próprio país – atualmente em 40% apoiam seu mandato.

Além da aversão ao envio de tropas para a guerra, a população estadunidense sente o aumento do preço dos combustíveis, assim como no Brasil. “Eventos que têm influência na disponibilidade do petróleo no mercado internacional fazem com que o preço suba por um temor da falta desse combustível”, pontua Souza. Ele acrescenta que o fechamento da passagem de Ormuz também tem um impacto importante. “A redução desse fluxo faz com que o custo logístico para que esse petróleo possa fazer outras voltas, e uma parte dele nem consegue ser escoada, aumente muito, então isso também acaba pressionando os preços do petróleo é dentro do mercado global”, explica.

Editado por: Juliana Passos

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