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Trump diz que vai ‘destruir’ qualquer navio iraniano que se aproxime de bloqueio marítimo imposto pelos EUA

Irã diz que barreira é pirataria; França, Espanha e China também criticam

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Foguete disparado de barco iraniano em exercício militar no Estreito de Ormuz: o Irã se preparou
Foguete disparado de barco iraniano em exercício militar no Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que as forças militares do país destruirão qualquer navio do Irã que se aproximar do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, que entrou em vigor nesta segunda-feira (13). O bloqueio foi anunciado em represália ao fracasso nas negociações de paz, no final de semana, para dar fim à guerra entre os dois países.

“Aviso: se algum desses navios se aproximar do nosso BLOQUEIO, será ELIMINADO imediatamente”, disse Trump em sua rede social Truth Social, acrescentando que o restante da Marinha iraniana foi “completamente aniquilado”.

Trump afirmou que as forças armadas estadunidenses usarão “o mesmo sistema de eliminação” usado “contra traficantes de drogas em embarcações em alto-mar”, referindo-se aos ataques aéreos contra embarcações que os EUA alegavam serem suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico.

“Os Estados Unidos imporão um bloqueio aos navios que entrem e saiam dos portos iranianos em 13 de abril às 10h00” (horário de Washington, 11h de Brasília), escreveu também.

As forças estadunidenses autorizarão a circulação de navios que não saiam do Irã nem se dirijam para este país, destacou o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio. Trump afirmou ao canal Fox News que o Reino Unido “e alguns outros países” enviariam navios para a detecção de minas.

A resposta do Irã não demorou: o Exército da República Islâmica afirmou que o bloqueio seria “ilegal” e um ato de “pirataria”. O país advertiu que, se a ameaça for concretizada, nenhum porto do Golfo “estará a salvo” de represálias. Espanha, França e China também criticaram a decisão estadunidense

Trump ‘errático’

“Pode-se supor que a intenção de Trump é tentar privar o Irã de suas receitas de exportação e obrigar seus principais importadores de petróleo, em particular a China, a pressionar Teerã para que suspenda o bloqueio do Estreito de Ormuz”, afirmou o centro de pesquisas Soufan Center.

Mas o analista da CNN Stephen Collinson diz que “o fracasso das negociações de paz entre os EUA e o Irã deixa o presidente Donald Trump com um conjunto de opções pouco atraentes que dificilmente lhe garantirão uma vitória decisiva ou rápida”.

“Mas ele está dobrando a aposta com o bloqueio ao Estreito de Ormuz, o que acarreta seus próprios riscos de consequências graves e imprevisíveis. Um bloqueio dos EUA que impeça a passagem de todos os navios que aceitaram os termos de passagem do Irã também pode prejudicar aliados como o Japão e os países europeus que Trump já alienou com a guerra e que dependem fortemente do fornecimento de petróleo do Golfo”, diz ele.

“Não é de se admirar que alguns críticos de Trump duvidem que sua mais recente tentativa de retomar o controle da guerra funcione, vendo-a como mais um exemplo de liderança errática, com justificativas mutáveis ​​para o conflito, ameaças graves e recuos”, conclui o analista.

Petróleo

O preço do barril de petróleo começou a semana acima da barreira simbólica de 100 dólares, com uma alta de mais de 7% para o barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, e de mais de 8% para o West Texas Intermediate (WTI).

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revisou em baixa em 500.000 barris a sua previsão de aumento da demanda diária de petróleo no segundo trimestre devido à situação no Oriente Médio, de acordo com o seu relatório mensal publicado nesta segunda-feira (13).

A demanda mundial de petróleo deveria estar em 105,1 milhões de barris diários (mbd) no segundo trimestre, estima a Opep atualmente, em comparação aos 105,6 mbd previstos em sua avaliação de março.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, os ataques às infraestruturas de petróleo e gás dos países do Golfo e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do comércio mundial de gás e petróleo, provocaram a crise energética mais grave da história e fizeram disparar os preços dos hidrocarbonetos.

Perspectivas

Tanto EUA como Irã trocam acusações pelo fracasso das negociações, mas não consideram as conversações encerradas. Segundo Trump, as negociações fracassaram porque o Irã não aceita renunciar ao desenvolvimento de armas nucleares, acusação desmentida por Teerã.

A Rússia reiterou nesta segunda-feira que está disposta a receber em seu território o urânio altamente enriquecido (60%) iraniano, que possui mais de 400 kg, no âmbito de um eventual acordo de paz. O Irã afirmou que as partes estavam “muito perto” de alcançar um acordo.

Para o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, um dos principais negociadores, o fracasso foi provocado pelo “maximalismo dos Estados Unidos”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, mencionou “um clima de suspeita e desconfiança” e considerou “evidente” que não seria possível alcançar um acordo “em apenas uma sessão”.

Editado por: Thaís Ferraz

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