Milhares de pessoas saíram às ruas de Caracas, na Venezuela, para celebrar o Dia da União Cívico-Militar, nesta segunda-feira (13). A data marca os 24 anos da retomada do poder pelo então presidente Hugo Chávez, após sofrer um golpe de Estado que contou com o apoio de setores empresariais, mídia tradicional, militares sublevados e representantes da Igreja Católica.
Debaixo de chuva, a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, subiu ao palco montado na região de El Silêncio, próximo ao Palácio de Miraflores, junto a ministros e lideranças sociais, para saudar a multidão.
“Recordo aquele 11 de abril, o que nos levou ao 11 de abril, o extremismo fanático mais uma vez tentando destruir a democracia na Venezuela para se apoderar do poder político e entregar nossas riquezas a poderes estrangeiros”, disse a presidenta. “Esse fascismo de 24 anos atrás está vivo na Venezuela”, alertou.
“Mas o que está mais vivo em nossa pátria é a consciência dos venezuelanos e das venezuelanas de entender e de saber que esse não é o caminho para a Venezuela. O que está mais vivo do que nunca é a alma patriota, é o espírito que vibra em nossa pele por defender a Venezuela.”
Rodríguez reforçou a convocação de uma caravana que deve percorrer o país, a partir do próximo domingo (19), em defesa da suspensão das sanções econômicas que ainda são aplicadas ao país. “Superemos nossas diferenças para pedir o fim das sanções contra a Venezuela e para que em união nacional defendamos a tranquilidade e a paz da Venezuela”, disse ela.
A presidenta ainda se referiu sobre o bombardeio realizado pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela no dia 3 de janeiro. “Vimos de um 3 de janeiro. Sabemos o que significaram os mísseis que caíram na cidade natal de nosso pai libertador. Que dor profunda, que ferida. Imediatamente dissemos que íamos cara a cara com o governo dos Estados Unidos para dirimir nossas diferenças, para nos entendermos como países deste hemisfério”, afirmou.
“Mas eu tenho que dizer”, seguiu a presidenta, “que isso demanda muita maturidade da nossa parte, demanda muita unidade nacional e saber que cada passo que estamos dando é para defender a nossa pátria, para garantir a paz, para que nenhum menino ou menina volte a viver o que foi o horror de 3 de janeiro”.
“Vimos de um 11 e dizemos: todo 11 tem o seu 13. Todo 11 tem o seu 13. Cedo ou tarde, o 13 dará vida à Venezuela novamente. Cedo ou tarde esse 13 se imporá marcando a história do nosso caminho”, declarou a presidenta.
Em seu discurso, Delcy Rodríguez fez questão de prestar homenagen ao ministro da Justiça, Diosado Cabello, presente no ato, que em 2002, por exercer a chefia da Assembleia Nacional, foi empossado presidente após a fuga dos golpistas, e em um ato simbólico, devolveu a Presidência a Hugo Chávez, após seu retorno.
“Um abraço a Diosdado Cabello hoje, 13 de abril, partícipe e protagonista da história pela transformação da nossa pátria. É assim. Por isso, um abraço para Diosdado e quero rememorar, quero recordar este dia de felicidade para a Venezuela”.
Comuna ou nada
O ministro das Comunas, Angel Prado, falou com exclusividade ao Brasil de Fato e relacionou a vitória popular do dia 13 de abril de 2002 ao contexto atual, em que Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, seguem sequestrados pelo regime dos Estados Unidos.
“O 13 de abril para nós significa a dignidade do povo venezuelano, a vitória popular quando os bairros de Caracas e de todo o país, a gente comum saiu a Miraflores para exigir que devolvessem o nosso presidente Hugo Chávez no seu momento. Como diz a nossa palavra de ordem que percorreu o país conosco: todo 11 tem o seu 13 e todo 3 [de janeiro] terá uma resposta contundente, uma resposta de dignidade”.

Prado afirmou ainda que o presidente Nicolás Maduro está bem, elaborando sobre o processo político venezuelano e dando força para que o governo revolucionário siga de pé. “A Revolução Bolivariana, apesar das dificuldades, segue em frente. Somos um povo invencível, somos um povo que não se rende. Somos um povo que historicamente tem um projeto e a esse projeto damos continuidade. Ninguém vai desmoralizar o povo venezuelano, pelo contrário, somos um exemplo de luta”, destacou o ministro quando chegava ao ato desta tarde.
“Venezuela segue sendo um povo anti-imperialista. A Venezuela segue sendo um povo solidário com os povos do mundo, que sempre estará do lado da justiça. Portanto, hoje, 13 de abril, dia histórico da Revolução Bolivariana, nos recarregamos de energia, de muita moral e seguimos convencidos de que nosso presidente Nicolás Maduro voltará à sua pátria, voltará como líder desta Venezuela bonita, desta Venezuela de guerreiros e guerreiras. E aqui o esperaremos com os braços abertos”, afirmou. “Aqui ninguém se rende. Aqui é povo na rua”, completou.
E o povo foi às ruas
“Yo no me quedo en lá casa pues al combate me voy”, cantavam os marchantes, ao som do cantor Ali Primera, ícone da música de protesto venezulana.
“O sentido para nós venezuelanos do 13 de abril é o sentir de um povo energicamente ativo, revolucionário, profundamente chavista. Aquele momento de 13 de abril nos deixou marcas que nunca poderão ser apagadas porque por meio daquele momento nós conseguimos perseverar em muitas batalhas”, disse Yurimara Suaje integrante do movimento de Produtores Camponeses, presente na marcha.

Marvelys Bolívar é moradora do município Ospino, no estado venezuelano de Portuguesa, e trabalha em um programa social voltado para a alfabetização de jovens e adultos, a missão Robinson. Ela lembra da incerteza que pairou sobre os venezuelanos durante as quase 72 horas de golpe, e se emociona ao lembrar da agressão militar dos Estados Unidos contra o país, e do sequestro de seu presidente.
“Esse dia significa que o povo da Venezuela segue fiel mais do que nunca à Revolução Bolivariana. E assim como pudemos resgatar o nosso presidente Chávez, da mesma forma também virá o nosso presidente Nicolás Maduro. Aqui está um povo que o ama, aqui está um povo que o espera, aqui está um povo que tem a paciência, que tem a sabedoria e sobretudo trabalha pela paz”, disse a professora.
“O 3 de janeiro também terá o seu 13. Porque aqui há um povo que espera o seu presidente. Nosso presidente é um presidente legítimo, um presidente que foi sequestrado e aqui o povo o exige”, completou.
