Editorial

Crise no Rio de Janeiro é reflexo da ausência de compromisso com a população

Casos de corrupção marcaram gestão de Cláudio Castro, que renunciou ao cargo na tentativa de não ser cassado

No audio source provided.
Em coletiva de imprensa realizada ainda enquanto governador, Cláudio Castro (PL) coloca a mão na testa
Cláudio Castro renunciou ao cargo de governador às vésperas de sua cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cláudio Castro foi cassado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato de governador, mesmo depois dele ter renunciado para tentar fugir da cassação. Castro foi condenado por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022, por supostamente ter utilizado a verba da venda da Cedae para aparelhar a Fundação Ceperj, onde 27.665 mil pessoas teriam sido contratadas irregularmente, gerando prejuízos para os cofres públicos na ordem de R$ 250 milhões. Votaram pela condenação cinco ministros. Já Kassio Nunes Marques e André Mendonça votaram contra.

O ex-governador faz parte do grupo bolsonarista do Estado do Rio. Quer ser candidato ao Senado Federal, mas está inelegível. A briga com a família Bolsonaro seria pela vaga no Senado, mas a candidatura do Flávio Bolsonaro para presidência os tornou aliados novamente. Mas exatamente qual é o elo entre a falta do governador no Estado e as eleições que se aproximam? Justamente a falta de compromisso com a população do Rio. É um grupo político sem propostas concretas para o povo, pensam somente nos seus.

:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::

Antes de ser preso pela tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro fez a seguinte fala para frear as investigações do Ministério Público sobre esquema de rachadinha que teria sido feito no gabinete de seu filho Flávio: “Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, afirmou Bolsonaro.

E assim o fez: trocou o ministro Sérgio Moro e nomeou André Mendonça para o Ministério da Justiça. O mesmo André Mendonça que votou para inocentar Cláudio Castro. Precisamos mudar profundamente a política do Rio de Janeiro, e as próximas eleições são apenas o começo.

*Editorial publicado originalmente na edição 384 do jornal Brasil de Fato RJ.

Editado por: Juliana Passos

|

Newsletter