Mobilização

Ato no Rio repudia tentativa de golpe na Alerj para eleger sucessor de Castro

STF define nesta quarta-feira (8) se sucessão ao governo do Rio será convocada por voto popular

Manifestantes pedem eleição direta para mandato tampão no governo do Rio de Janeiro
Manifestantes pedem eleição direta para mandato tampão no governo do Rio de Janeiro | Crédito: Juliana Passos/Brasil de Fato

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) define se a sucessão no governo do Rio de Janeiro será por eleição direta ou indireta, nesta quarta-feira (8), movimentos populares realizaram um ato na frente da Assembleia Legislativa (Alerj), no centro da cidade, em defesa do voto popular.

A mobilização repudiou a tentativa de golpe na Alerj que alçou o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, para o mandato tampão na semana passada. Manifestantes empunharam cartazes com os dizeres “Alerj não é urna! Quem escolhe o governo é o povo”. No mesmo dia, no entanto, a Justiça do Rio anulou a votação convocada às pressas por aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL).

Keila Machado, diretora da CUT-Rio, avaliou que o ato dá um importante recado. “Tem tantas coisas importantes para serem decididas, mas só conseguiram tempo para dar um golpe relâmpago e colocar o [deputado Douglas] Ruas (PL) por alguns minutos no poder. Eleição direta vai ser importante para que realmente a população possa de fato escolher o seu governador. Não podemos deixar passar em branco a tentativa de golpe da Assembleia”, afirmou.

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Para Elenice Ramos, diretora da Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), o voto popular para a sucessão do governo será fundamental para legitimar as eleições de outubro. O mandato tampão tem exercício até o dia 31 de dezembro.

“Tendo diretas agora, mesmo por um período curto, mais na frente poderemos ter uma mais eleição justa, em que o povo realmente enxergue a realidade do que está acontecendo em nosso país. Nós lutamos por respeito às nossas comunidades e para que possamos ter acesso à saúde, educação e moradia digna”, defendeu.

Movimentos populares fazem queima de Cláudio Castro, ex-governador do Rio cassado e inelegível pelo TSE
Movimentos populares fazem queima de Cláudio Castro, ex-governador do Rio cassado e inelegível pelo TSE | Crédito: Juliana Passos/Brasil de Fato

O ato foi convocado pelas centrais sindicais CUT, CTB e Intersindical, além dos movimentos Brasil Brasil e Povo Sem Medo, e teve presença de parlamentares de esquerda. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) distribuiu mais de 500 quentinhas durante a mobilização.

Desde a renúncia de Cláudio Castro (PL) na véspera da sua cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comando do estado está com Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico na sua campanha à reeleição de 2022.  

“É o povo que tem de decidir como o Estado do Rio de Janeiro deve ter governado. O dinheiro era para garantir água e saneamento na casa do povo foi usado para cabos eleitorais da campanha de Claudio Castro”, lembrou Suelen Sousa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Estado desmoralizado

Durante o ato, o deputado estadual Flávio Serafini (Psol) afirmou que a eleição indireta não pode se dar por meio das estruturas de poder “montadas nos esquemas do governador Cláudio Castro. 

“O governo Cláudio Castro entregou a Secretaria de Fazenda na mão do grupo que é o maior sonegador fiscal do Brasil. Aqueles investigados por contrabandear combustível, por fraudar diesel e gasolina, por lavar dinheiro para o tráfico de drogas. Esses são os que mandam hoje no estado do Rio de Janeiro. É por isso que a eleição para decidir o futuro do Rio de Janeiro não pode se dar de forma indireta”, justificou o deputado.

O estado está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha saiu do cargo para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Outra autoridade na linha sucessória também ficou impedida: o então presidente da Alerj foi preso e também teve o mandato cassado no esquema da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj), quando mais de 27 mil pessoas foram contratadas sem transparência.

“A gente não tem dúvida de que o julgamento do TSE foi só o primeiro de muitos que ele [Castro] vai enfrentar na Justiça. Foi só o primeiro de muitos que ele vai ter que pagar para o povo do Rio de Janeiro. A gente quer o dinheiro da Educação, a gente quer o dinheiro dos aposentados, a gente quer o dinheiro da Cedae, a gente quer que o povo do Rio de Janeiro tenha serviços públicos de qualidade. A gente quer democracia, para que o povo possa decidir. Diretas já no Rio de Janeiro!”, completou Serafini.

O chamado popular à eleição direta vem após uma semana de idas e vindas na definição do mandato tampão. Também presente no ato, a deputada estadual Dani Monteiro (Psol) classificou de “Estado desmoralizado” a tentativa do grupo político de Castro se manter no poder por meio de um golpe na Alerj.

“Precisamos informar à população o que está ocorrendo. Nós, da militância de esquerda, sabemos que o processo eleitoral é, muitas vezes, a oportunidade de dialogar com o povo sobre um novo projeto de Estado”, defendeu a deputada.

O ato também foi marcado por uma forte presença do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado em 2023 pelo hoje vereador pelo Psol, Rick Ferreira e um dos principais defensores do fim da escala 6×1. “Esse grupo político que cooptou o Rio de Janeiro e quer continuar comandando o estado é o mesmo grupo político do Nikolas Ferreira [PL], que está lá em Brasília, travando o avanço da nossa PEC. É necessário diretas já, é necessário que o povo decida, é necessário que o povo seja prioridade, que o povo tenha voz”, finalizou. 

Editado por: Vivian Virissimo

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