Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) define se a sucessão no governo do Rio de Janeiro será por eleição direta ou indireta, nesta quarta-feira (8), movimentos populares realizaram um ato na frente da Assembleia Legislativa (Alerj), no centro da cidade, em defesa do voto popular.
A mobilização repudiou a tentativa de golpe na Alerj que alçou o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, para o mandato tampão na semana passada. Manifestantes empunharam cartazes com os dizeres “Alerj não é urna! Quem escolhe o governo é o povo”. No mesmo dia, no entanto, a Justiça do Rio anulou a votação convocada às pressas por aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL).
Keila Machado, diretora da CUT-Rio, avaliou que o ato dá um importante recado. “Tem tantas coisas importantes para serem decididas, mas só conseguiram tempo para dar um golpe relâmpago e colocar o [deputado Douglas] Ruas (PL) por alguns minutos no poder. Eleição direta vai ser importante para que realmente a população possa de fato escolher o seu governador. Não podemos deixar passar em branco a tentativa de golpe da Assembleia”, afirmou.
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Para Elenice Ramos, diretora da Federação de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), o voto popular para a sucessão do governo será fundamental para legitimar as eleições de outubro. O mandato tampão tem exercício até o dia 31 de dezembro.
“Tendo diretas agora, mesmo por um período curto, mais na frente poderemos ter uma mais eleição justa, em que o povo realmente enxergue a realidade do que está acontecendo em nosso país. Nós lutamos por respeito às nossas comunidades e para que possamos ter acesso à saúde, educação e moradia digna”, defendeu.

O ato foi convocado pelas centrais sindicais CUT, CTB e Intersindical, além dos movimentos Brasil Brasil e Povo Sem Medo, e teve presença de parlamentares de esquerda. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) distribuiu mais de 500 quentinhas durante a mobilização.
Desde a renúncia de Cláudio Castro (PL) na véspera da sua cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comando do estado está com Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico na sua campanha à reeleição de 2022.
“É o povo que tem de decidir como o Estado do Rio de Janeiro deve ter governado. O dinheiro era para garantir água e saneamento na casa do povo foi usado para cabos eleitorais da campanha de Claudio Castro”, lembrou Suelen Sousa, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
Estado desmoralizado
Durante o ato, o deputado estadual Flávio Serafini (Psol) afirmou que a eleição indireta não pode se dar por meio das estruturas de poder “montadas nos esquemas do governador Cláudio Castro.
“O governo Cláudio Castro entregou a Secretaria de Fazenda na mão do grupo que é o maior sonegador fiscal do Brasil. Aqueles investigados por contrabandear combustível, por fraudar diesel e gasolina, por lavar dinheiro para o tráfico de drogas. Esses são os que mandam hoje no estado do Rio de Janeiro. É por isso que a eleição para decidir o futuro do Rio de Janeiro não pode se dar de forma indireta”, justificou o deputado.
O estado está sem vice-governador desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha saiu do cargo para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Outra autoridade na linha sucessória também ficou impedida: o então presidente da Alerj foi preso e também teve o mandato cassado no esquema da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj), quando mais de 27 mil pessoas foram contratadas sem transparência.
“A gente não tem dúvida de que o julgamento do TSE foi só o primeiro de muitos que ele [Castro] vai enfrentar na Justiça. Foi só o primeiro de muitos que ele vai ter que pagar para o povo do Rio de Janeiro. A gente quer o dinheiro da Educação, a gente quer o dinheiro dos aposentados, a gente quer o dinheiro da Cedae, a gente quer que o povo do Rio de Janeiro tenha serviços públicos de qualidade. A gente quer democracia, para que o povo possa decidir. Diretas já no Rio de Janeiro!”, completou Serafini.
O chamado popular à eleição direta vem após uma semana de idas e vindas na definição do mandato tampão. Também presente no ato, a deputada estadual Dani Monteiro (Psol) classificou de “Estado desmoralizado” a tentativa do grupo político de Castro se manter no poder por meio de um golpe na Alerj.
“Precisamos informar à população o que está ocorrendo. Nós, da militância de esquerda, sabemos que o processo eleitoral é, muitas vezes, a oportunidade de dialogar com o povo sobre um novo projeto de Estado”, defendeu a deputada.
O ato também foi marcado por uma forte presença do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado em 2023 pelo hoje vereador pelo Psol, Rick Ferreira e um dos principais defensores do fim da escala 6×1. “Esse grupo político que cooptou o Rio de Janeiro e quer continuar comandando o estado é o mesmo grupo político do Nikolas Ferreira [PL], que está lá em Brasília, travando o avanço da nossa PEC. É necessário diretas já, é necessário que o povo decida, é necessário que o povo seja prioridade, que o povo tenha voz”, finalizou.
