sem diplomacia

Cada vez mais isolado, Trump quer passar um ‘ar de vitória’ ao prorrogar cessar-fogo com Irã

Ana Carolina Marson avalia que Trump só aceitou pedido do Paquistão porque têm interesse em sair da guerra

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Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP
Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP

Os Estados Unidos prorrogaram o cessar-fogo atendendo um pedido do Paquistão, que atua como mediador do conflito, mas o Estreito de Ormuz segue com bloqueio naval estadunidense, ponto de maior tensionamento para o Irã.

Para Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), essa extensão da trégua é só mais uma tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de passar a impressão de que está no controle da situação.

“Donald Trump está tentando sair do conflito com um “ar de vitória”. “Trump se vê cada vez mais isolado, ele não vem conseguindo apoio algum junto a comunidade internacional e ele enfrenta uma queda na sua popularidade. Essa expansão do cessar-fogo que ele vem dando ao Irã é justamente para dar um ar de que ele está no controle da situação, o que não é verdade”, avalia Marson em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A atuação do Paquistão como mediador mostra que a comunidade internacional tem se esforçado em encontrar um desfecho para o conflito pela via da diplomacia, mas Ana Carolina Marson destaca que essa não é uma visão do governo Donald Trump.

“Dentro do sistema internacional ainda existe espaço para o multilateralismo e a diplomacia, mas o que a gente tem visto é que para o presidente Donald Trump essa diplomacia é muitas vezes ignorada. Então, [a extensão do cessar-fogo] veio de um pedido do Paquistão, mas Trump só aceitou o pedido do porque fazia sentido para ele, porque ele precisa mostrar força”, pontua. “Dessa forma ele se mostra um pouco favorável a diplomacia, dá um ar de legitimidade, mas a verdade é que ele só aceita porque está ligado ao interesse dos Estados Unidos.”

Marson afirma que a maior prova disso é que, antes do início da guerra, EUA e Irã estavam em processo de negociação e quem interrompeu esse processo de negociação diplomática foi Trump. “Naquele momento, a diplomacia para Donald Trump era mais de fachada, não estava fazendo sentido”, destaca.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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