Paz

Governo cubano denuncia falta de vontade e impasse no diálogo com Washington

Para a vice-ministra de Relações Exteriores, não há 'outra alternativa para resolver os problemas com os Estados Unidos'

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A vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, Josefina de la Caridad Vidal Ferreiro (R), fala no Capitólio Nacional em 28 de maio de 2026.
A vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, Josefina de la Caridad Vidal Ferreiro (R), fala no Capitólio Nacional em 28 de maio de 2026. | Crédito: Joaquín Hernandez/Pool/AFP

“Não houve muito progresso nos diálogos entre Havana e Washington”, afirmou Josefina Vidal, vice-ministra das Relações Exteriores de Cuba, nesta quinta-feira (28), e acrescentou que, por parte do governo cubano, existem “dúvidas sobre a responsabilidade e a seriedade do governo dos Estados Unidos neste processo”.

As declarações de Vidal ocorreram durante uma audiência parlamentar convocada pela Assembleia Nacional do Poder Popular sob o nome “Cuba quer Paz”, na qual deputados cubanos e ativistas de organizações civis denunciaram as crescentes ameaças de intervenção militar por parte dos Estados Unidos, assim como o bloqueio petrolífero imposto desde janeiro.

Durante seu discurso, a vice-ministra explicou que, embora os canais de diálogo “permaneçam abertos”, a partir de Washington “continuam sendo adotadas medidas coercitivas muito prejudiciais” para a economia e a população cubanas, ações que geram dúvidas sobre a verdadeira vontade do governo dos Estados Unidos de avançar no processo de aproximação bilateral.

Ainda assim, ela ressaltou que o governo cubano continua favorecendo o diálogo, já que Havana não considera que exista “outra alternativa para resolver os problemas com os Estados Unidos”.

“Nossa aspiração é que o caminho do diálogo continue funcionando como a fórmula para buscar um entendimento e uma solução para as diferenças entre os dois países”, afirmou a vice-ministra.

Durante sua intervenção, advertiu que “a agressão contra Cuba não está por se materializar. Não é o perigo de um futuro possível, mas sim um ato que já está em plena execução”.

Da mesma forma, lembrou que essa política de hostilidade contra a ilha “tem se mantido por muitos anos, de um modo ou de outro”, e afirmou que seu principal componente é “a agressão econômica, com o sistema coercitivo mais abrangente e prolongado que a humanidade já conheceu”, aplicado pelo governo dos Estados Unidos contra várias gerações de cubanos.

No entanto, a funcionária indicou que “essa agressão escalou exponencialmente durante o presente ano e continua se intensificando (…) com a adoção de medidas cada vez mais agressivas e impiedosas”.

Vidal apontou que as novas medidas adotadas por Washington, em particular as sanções contra pessoas e entidades estrangeiras que realizem operações com Cuba, buscam “estrangular a economia cubana e desconectá-la totalmente de fontes externas de financiamento, de investimento estrangeiro e de suprimentos de bens básicos e essenciais de subsistência”.

Dos Estados Unidos, acrescentou, “estão sendo usadas todas as ferramentas para tentar dobrar o país”, e qualificou como “inaceitável” que essas tentativas sejam feitas “punindo e submetendo o povo a condições insuportáveis de vida e privando-o de todos os meios de subsistência”.

“Essa sempre foi a fórmula usada pelos Estados Unidos em relação a Cuba e agora se manifesta de forma muito mais crua e impiedosa”, concluiu.

Editado por: Luís Indriunas

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