Black money

Brasil que empreende é uma mulher negra

Engrenagem para o desenvolvimento do país, afroempreendedorismo movimenta R$ 2 trilhões por ano

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Dia de Tereza D' Benguela e da Mulher Negra Afro-Latina e Caribenha é comemorado no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), no Centro do Rio
Dia de Tereza D’ Benguela e da Mulher Negra Afro-Latina e Caribenha é comemorado no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), no Centro do Rio | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O afroempreendedorismo brasileiro deixou de ser apenas um movimento de enfrentamento econômico para se consolidar como uma das maiores forças produtivas do país. Dados recentes do Sebrae, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-Contínua) do IBGE, mostram que pessoas negras já representam a maioria entre os donos de negócios no Brasil.

São cerca de 16 milhões de afroempreendedores, o equivalente a mais de 52% do total no país. O número, por si só, revela uma mudança estrutural importante na economia nacional e evidencia a capacidade histórica da população negra de transformar adversidade em geração de renda, inovação e impacto social.

O crescimento do empreendedorismo negro nos últimos anos chama atenção não apenas pelo volume, mas pela velocidade. Trata-se de um movimento impulsionado por diferentes fatores, como a necessidade de sobrevivência diante da desigualdade no mercado formal de trabalho e o fortalecimento do Black Money.

Um levantamento do Sebrae aponta que o afroempreendedorismo movimenta quase R$ 2 trilhões por ano na economia brasileira e isso demonstra que não estamos falando de um nicho de mercado, mas de uma engrenagem para o desenvolvimento do país.

Dentro desse cenário, o empreendedorismo feminino negro também ganha destaque e revela um retrato importante das desigualdades raciais e de gênero no Brasil. Atualmente, o país possui cerca de 4,7 milhões de mulheres negras empreendedoras, segundo dados do Governo Federal e, embora os dados demonstrem a força das mulheres negras, nós continuamos sendo o grupo com menor rendimento médio entre todos os empreendedores brasileiros.

Além disso, apenas 7% das negras empreendedoras atuam como empregadoras, enquanto a maioria trabalha por conta própria, muitas vezes em pequenos negócios de sobrevivência e com baixo acesso a crédito e investimento. Mulheres brancas são o grupo com maior percentual de ensino superior completo entre os empreendedores brasileiros, chegando a cerca de 39%.

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O conceito de Black Money vem se consolidando como ferramenta econômica e política de fortalecimento coletivo. O cenário atual mostra que o afroempreendedorismo não pode mais ser tratado apenas como pauta social ou tendência de mercado. Um dos principais exemplos é o Festival Feira Preta, que retorna ao Rio de Janeiro após uma década longe da capital fluminense.

Em 2025, o evento enfrentou dificuldades financeiras após a perda de importantes patrocinadores: a edição de São Paulo acabou não sendo realizada, enquanto a programação em Salvador precisou ser reduzida. Idealizado e liderado pela empreendedora negra Adriana Barbosa, o Festival se consolidou como uma das maiores plataformas de valorização do empreendedorismo negro e periférico no país.

A Feira Preta atua como um espaço de fortalecimento econômico, cultural e social da população negra. O incentivo ao afroempreendedorismo promovido pelo festival busca inserir pessoas negras no centro das discussões sobre economia criativa, geração de renda e inovação, especialmente em territórios historicamente negligenciados pelo poder público e pelo mercado tradicional.

Em um país marcado por profundas desigualdades raciais, iniciativas como a Feira Preta demonstram a importância de políticas de incentivo, investimento e valorização de empreendedores negros. Fortalecer esses espaços significa ampliar oportunidades, movimentar a economia e garantir que a população negra tenha protagonismo na construção de um desenvolvimento mais justo, diverso e inclusivo.

*Guanayra Firmino é a atual presidenta da Estação Primeira de Mangueira. Cria do Morro da Mangueira, iniciou sua trajetória aos 17 anos como vice-presidente da associação de moradores. Atua nos bastidores e na diretoria da Escola durante vários mandatos, e conduz a Verde e Rosa valorizando os talentos da comunidade.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Clivia Mesquita

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