As eleições presidenciais colombianas serão decididas em segundo turno entre Iván Cepeda, apoiado por Gustavo Petro, e o ultradireitista Abelardo de La Espriella, simpatizante de Donald Trump e do presidente Nayib Bukele, de El Salvador.
Sob fortes episódios de violência política ao longo da campanha, o pleito foi marcado por tensões, entre elas a denúncia por parte de Cepeda de que locais de votação em bairros periféricos teriam sido trocados de última hora para atrapalhar o eleitorado. Iván Cepeda teve 40% dos votos e Abelardo de la Espriella, 43%
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), pondera que o cenário de disputa fratricida era esperado, considerando o histórico político do país nas últimas décadas. “Uma série de candidatos afirmaram que receberam ameaças de morte. Uma candidata à vice-presidência foi capturada por um grupo e liberada algumas horas depois. Então vemos que, infelizmente, segue na mesma linha de um processo bastante violento que já víamos acontecendo há algum tempo”, afirma.
Marson destaca, contudo, que o desemprenho da extrema direita foi surpreendente, considerando que as pesquisas apontavam Cepeda com alguma vantagem. “Em relação a esse primeiro turno é até surpresa esse resultado. As pesquisas pré-eleitorais apontavam não para uma vitória em primeiro turno, mas, minimamente uma maioria, uma predominância do candidato de esquerda. E vimos que, na verdade, foi o De La Espriella que acabou saindo com mais votos. Então isso foi uma surpresa. Não esperava-se que um candidato como ele, que não tem experiência política nenhuma, que vem nessa linha mais dura da extrema direita, conseguisse tantos votos. Imaginava-se que, sim, ele fosse conseguir ir para um segundo turno, mas não da maneira como ele vai. Então, vemos agora que, na verdade, a extrema direita sai bastante fortalecida”, analisa.
Os questionamentos levantados por Petro e Cepeda sobre legalidade do processo eleitoral, segundo Ana Carolina Marson, são denúncias muito sérias. “Sabemos que o processo eleitoral na Colômbia já é bastante complicado e agora temos, além de tudo, essas alegações, essas acusações. Então, precisamos acompanhar, esperar para ver o que que vai acontecer. O segundo turno ainda vai acontecer, está marcado para o dia 21 de junho. Então, temos mais uma fase desse processo que já está bastante violento. Acredito que temos que esperar, mas, agora, nesse pós, esse imediato pós-primeiro turno, vemos uma ultradireita bastante fortalecida”, destaca.
“A democracia vem enfrentando uma série de questionamentos que não deveriam estar acontecendo. E isso não é exclusividade da Colômbia, No Brasil, vimos um movimento também para dificultar a chegada do eleitor até a urna”, lembra Marson.
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