dark horse

Operação contra produtora de filme de Bolsonaro revela indícios de lavagem de dinheiro para o clã, avalia cientista político

Polícia Civil de SP tem como alvo produtora de 'Dark Horse' por susposta fraude em contratos com gestão Nunes

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capa do filme dark horse
Reprodução capa do filme Dark Horse | Crédito: Reprodução

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo deflagrada nesta segunda-feira (1º) teve como alvo o Instituto Conhecer Brasil, de propriedade de Karina Ferreira da Gama, da produtora Go UP, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação foi batizada de Wi-Fi Livre porque apura possíveis fraudes em contrato no valor de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo para a instalação de uma rede de acesso à internet gratuita em comunidades da cidade.

De acordo com a investigação, a organização deveria ter instalado 5 mil pontos públicos de acesso ao wi-fi nas periferias da capital paulista no prazo de 12 meses, concluído em junho de 2025. Até o momento, foram instalados 3.200 pontos. Além disso, segundo a política e o Ministério Público Estadual, que realiza conjuntamente a investigação, a empresa de Karina teria apresentado notas irregulares para justificar o valor de R$ 16,5 milhões.

Para o cientista político Paulo Roberto de Souza, a nova notícia envolvendo o caso é mais uma peça em um grande esquema criminoso que envolve não apenas o senador Flávio Bolsonaro (PL), como a família toda que, segundo evidências, se beneficiou das relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. “O que temos, de acordo com a reportagem do Intercept Brasil, é que parece que todos os contratos desse filme superfaturado alimentaram alguns dutos de lavagem de dinheiro em benefício da família Bolsonaro. Já tem o caso da casa comprada nos EUA e agora tem esse caso de mais um desvio que pode ter rastros que cheguem a outras pessoas”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Souza critica especialmente a cobertura da mídia comercial sobre o caso com o decorrer dos dias. “A gente percebe que tiveram outros desdobramentos e isso não vem sendo mais explorado na mídia tradicional. Meio que ficou muito localizado temporalmente e a preocupação da mídia tradicional é só o que isso reverberou na candidatura [de Flávio Bolsonaro]. É quase como se fosse um boato. Mas estamos falando de uma questão criminal com potencial de ser um grande escândalo politico e, me parece, está sendo pouco explorada.”

O cientista político compara a conduta atual da imprensa diante da maior fraude no sistema financeiro do país e a exploração midiática na época da operação Lava Jato. “Está muito claro que não só o filme, como a produtora e algumas ONGs ligadas a esse processo, junto com o Banco Master, criaram um ecossistema de desvio e lavagem de dinheiro que já tem indícios de ter beneficiado diretamente a família Bolsonaro. Sinto falta de uma maior exploração por parte da mídia tradicional. Tem um repórter [do Intercept Brasil] que foi até a casa do Eduardo. Isso não tem sido explorado. Me parece e me preocupa esse desinteresse por parte da mídia tradicional em se aprofundar em um caso em que a gente não está falando em pouco dinheiro. A gente está falando de um orçamento quatro, cinco vezes maior do que filmes com notória qualidade, bilheteria e premiação internacional do cinema”, pontua Paulo Roberto de Souza.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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