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‘Plágio de Bukele’, candidato de extrema direita recebe apoio de ex-presidente Uribe em 2º turno na Colômbia

Amanda Harumy destaca que a continuidade do projeto de país à esquerda desagrada governos como o dos EUA

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O candidato presidencial colombiano Abelardo de la Espriella, do movimento político Defensores de la Patria, discursa atrás de um vidro blindado durante ato de campanha em La Ceja, no departamento de Antioquia, em 23 de fevereiro de 2026. (Foto: Jaime Saldarriaga / AFP)
O candidato presidencial colombiano Abelardo de la Espriella, do movimento político Defensores de la Patria, discursa atrás de um vidro blindado durante ato de campanha em La Ceja, no departamento de Antioquia, em 23 de fevereiro de 2026 | Crédito: Jaime Saldarriaga / AFP

O candidato de extrema direita à Presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella, recebeu o apoio do ex-mandatário colombiano Álvaro Uribe.

Em mensagem publicada em suas redes sociais, o líder de direita declarou voto no candidato que saiu na frente no primeiro turno das eleições realizadas neste domingo (31). Advogado e empresário, admirador de outros presidentes de extrema direita no continente, De la Espriella obteve mais de 43% dos votos, superando o candidato de esquerda, Iván Cepeda, considerado sucesso do atual presidente Gustavo Petro.

Ambos vão disputar o 2º turno no dia 21 de junho.

Uribe, conhecido por sua política de repressão sistemática a grupos guerrilheiros e movimentos populares quando era presidente (2002 a 2010), apoiava a senadora Paloma Valencia, que ficou em terceiro lugar na corrida do domingo, com apenas 6%.

O apoio do chamado “uribismo” ao candidato da extrema direita é considerado um ponto importante para que os setores mais conservadores da política colombiana conquistem votos contra Cepeda e coloquem fim ao projeto de esquerda que governa pela primeira vez a Colômbia e leva a cabo uma agenda de reformas estruturais, como a reforma agrária, trabalhista, previdenciária e da saúde.

‘Plágio de Bukele’

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a internacionalista Amanda Harumy, doutora pelo Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP), avalia que o desempenho da extrema direita foi surpreendente.

“Foi uma virada assustadora. A previsão do Pacto Histórico era, inclusive, vencer no primeiro turno. Ao mesmo tempo, quando a gente faz uma análise mais ampla sobre as eleições na América Latina, como aconteceu em Honduras e na Argentina, a gente percebe que os últimos dias antes das eleições são muito voláteis e recebem influência externa direta, como ataques comunicacionais e posicionamentos financeiros de países que podem impactar a eleição. A extrema direita mostra que tem uma força e que se aglutina rapidamente. Porque a gente tinha uma disputa entre uma direita tradicional e a nova extrema direita, do Abelardo, que mostra que tem uma força na Colômbia”, explica.

Para Harumy, La Espriella inova por trazer seguidores a partir de um discurso extremista que desagrada até mesmo os conservadores alinhados ao uribismo. “Ele [Abelardo de La Espriella] é um plágio de personalidade política do Bukele, do Noboa, dessa extrema direita da América Latina que utiliza aquelas cores de ser nacionalista, da família, conservador, algo inclusive que a gente já conhece aqui no Brasil com o bolsonarismo. Mas ele atualiza porque o uribismo sempre foi uma força da extrema direita na Colômbia mas muito ligado ao Uribe, aos posicionamentos do [ex-presidente Álvaro] Uribe. E hoje ele [Abelardo] representa a nova extrema direita que até mesmo Uribe achava radical”, aponta.

Amanda Harumy destaca que o presidente Gustavo Petro colocou a Colômbia mais à esquerda e bateu de frente com a ingerência histórica dos Estados Unidos. Esse cenário, evidentemente, desagrada o governo Donald Trump.

O número de abstenções no primeiro turno superou os 40%, um número muito alto que, segundo a analista, é possível ser um reflexo desse processo de criminalização da política e pressões dentro dos territórios. Além disso, Harumy traça um paralelo ao que aconteceu em Honduras, com evidências de interferências dos EUA e Israel.

“Assim como outros sistema eleitorais já foram fragilizados em processos eleitorais recentes, como em Honduras. É uma denúncia muito grave. E não são poucos votos que eles pedem a recontagem. São 870 mil votos. A fragilidade do processo democrático é algo preocupante. É importante lembrar que Gustavo Petro representou uma ruptura de uma política externa da Colômbia sempre alinhada aos EUA e aos interesses dos EUA”, pontua. “O processo de Petro foi histórico, a vitória pela primeira vez da esquerda, um governo que constrói essa perspectiva da paz. Teve avanço em reformas sociais, na reforma trabalhista, agrária, na educação, mas teve dificuldades, porque é um país que tem a influência do paramilitarismo e do narcotráfico.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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