'Lamentável'

Governo Lula reage à investigação dos EUA sobre trabalho forçado e fala em reciprocidade

Nota classifica medida como 'um absurdo' e aponta protecionismo unilateral

No audio source provided.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras (SE).
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras (SE). | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O governo brasileiro elevou o tom contra a investigação conduzida pelos Estados Unidos, que pode resultar em novas barreiras comerciais contra produtos de dezenas de países, incluindo o Brasil. Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), o Palácio do Planalto manifestou “profunda discordância com a conclusão preliminar anunciada ontem (2/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado, penalizando indiscriminadamente 59 países e a União Europeia”.

A manifestação foi uma resposta ao relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia a adoção de restrições comerciais relacionadas ao combate ao trabalho forçado. Segundo o governo brasileiro, Washington tem utilizado uma pauta sensível para justificar medidas de caráter protecionista. Na nota, o Planalto afirma que “é lamentável que tema tão relevante como o da proteção de condições dignas para milhões de trabalhadores e trabalhadoras seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais”.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho forçado se refere a situações em que as pessoas são coagidas a trabalhar por meio do uso de violência ou intimidação, ou até mesmo por meios mais sutis, como a servidão por dívidas, a retenção de documentos de identidade ou ameaças de denúncia às autoridades de imigração.

O governo também rebateu diretamente qualquer tentativa de vincular a competitividade da economia brasileira a práticas degradantes de trabalho. “É um absurdo tentar associar a competitividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana”, afirma o texto. A nota destaca ainda que a OIT reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político.

Diante da ameaça de novas sanções comerciais, o Planalto afirmou que poderá acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. Segundo o governo, “O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional”.

O governo reiterou que espera que as recomendações do USTR não se convertam em tarifas efetivas, mas avisou que reagirá caso isso ocorra. Na nota, o Planalto afirma que “adotará medidas para reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”.

Editado por: Luís Indriunas

|

Newsletter