Trégua frágil

Israel e Líbano anunciam cessar-fogo; Hezbollah diz que resistência ‘continua e permanece firme’

Grupo de resistência não participou das negociações e afirmou que 'esforços fracassarão'

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Fumaça em local de bombardeio israelense no sul do Líbano, perto do Castelo de Beaufort, em 4 de junho de 2026
Fumaça em local de bombardeio israelense no sul do Líbano, perto do Castelo de Beaufort, em 4 de junho de 2026 | Crédito: Oliver Contreras / AFP

Israel e Líbano concordaram em ativar um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos após uma quarta rodada de negociações realizada em Washington, nesta quarta-feira (03). A negociação ocorreu sem a participação do grupo de resistência Hezbollah.

Em comunicado, o Departamento de Estado do país norte-americano afirmou que “a implementação de um cessar-fogo depende da cessação completa do fogo do Hezbollah e da evacuação de todos os operativos do Hezbollah do Setor de South Litani”.

Segundo o texto, as duas partes concordaram em avançar rapidamente na criação de zonas piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais.

O Hezbollah não participou das negociações conduzidas pelos Estados Unidos e mantém posição contrária às condições impostas pelo acordo. O vice-presidente do Conselho Político do grupo, Mahmoud Qomati, rejeitou a exigência de desarmamento e afirmou que a resistência continuará.

“Todos os esforços dos EUA e de Israel fracassarão”, declarou. Segundo ele, “o confronto continua e a resistência contra a agressão israelense permanece firme”. Um dirigente do movimento ouvido anteriormente pela agência AFP também afirmou que o grupo “não aceitaria um cessar-fogo parcial”.

A posição do Hezbollah também recebeu apoio do Irã. O comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, Esmail Qaani, declarou que a retirada israelense para as posições anteriores ao início da guerra é uma condição mínima para qualquer entendimento.

“Apoiar a resistência no Líbano é dever de todos nós, e remover Israel da região é um objetivo alcançável para os muçulmanos”, afirmou. Segundo Qaani, “a demanda mínima da resistência é a retirada do regime usurpador (Israel) para a posição que ocupava antes do início da guerra dos 40 dias”.

‘Última oportunidade’

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, classificou o acordo como uma oportunidade decisiva para encerrar o conflito. Segundo ele, as negociações em Washington foram marcadas por momentos de tensão e chegaram a ser interrompidas temporariamente pela delegação libanesa antes da intervenção do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

“O acordo alcançado é a última oportunidade; caso contrário, cada parte deve assumir a responsabilidade”, afirmou Aoun. O presidente acrescentou que “estamos aguardando as respostas de todas as partes envolvidas e garantias de conformidade, e a implementação pode começar dentro de 24 horas após a aprovação final”.

Apesar do anúncio da trégua, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as operações militares israelenses continuarão no sul do Líbano. Em comunicado divulgado poucas horas após o acordo, Katz declarou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) permanecerão em áreas estratégicas da região e seguirão realizando ações militares.

“As FDI continuarão suas operações de fogo e terrestres, permanecerão na zona de segurança no Líbano até a linha amarela — inclusive na área de Beaufort — e sem o retorno da população, enquanto continuam a desmantelar infraestrutura terrorista no terreno”, afirmou.

Katz acrescentou ainda que Israel manterá a capacidade de atacar alvos em território libanês caso considere necessário. Segundo ele, as IDF preservam a “liberdade de ação, com apoio norte-americano, para atacar em Beirute em resposta a fogos contra comunidades e territórios israelenses”.

Paralelamente, o Exército israelense emitiu alertas orientando a população a evitar deslocamentos para áreas ao sul do rio Zahrani, indicando que os combates ainda não foram totalmente interrompidos.

O acordo

O acordo prevê a suspensão das hostilidades, a retirada de combatentes do Hezbollah das áreas ao sul do rio Litani e a criação de zonas de segurança sob controle exclusivo das Forças Armadas libanesas.

O comunicado conjunto divulgado por Washington afirma que o acordo busca o “desmantelamento de grupos armados não estatais e a prevenção de seu ressurgimento”. Os dois governos também concordaram em retomar as negociações na semana de 22 de junho para discutir questões políticas e de segurança que possam levar a um acordo mais amplo.

Os países reafirmaram que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser decidido pelos dois governos soberanos. Eles rejeitaram qualquer tentativa, por parte de Estados ou atores não estatais, de manter o futuro do Líbano como refém.

Ataques continuam

No terreno, os ataques continuaram mesmo após o anúncio da trégua. A agência oficial de notícias do Líbano informou que várias pessoas ficaram feridas em bombardeios israelenses nas regiões de Tiro e Nabatieh, no sul do país, áreas que vêm sendo alvo de sucessivas ofensivas nas últimas semanas.

O acordo prevê que o Exército libanês assuma gradualmente o controle das zonas de segurança, mas ainda não foram divulgados detalhes sobre a implementação prática desse mecanismo.

Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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