Pelo menos oito pessoas morreram após novos bombardeios de Israel contra o Líbano nesta terça-feira (9). Os ataques acontecem um dia após o acordo de cessar-fogo alinhado entre Irã e Israel com a mediação dos Estados Unidos. O país persa culpou o governo Donald Trump pela violação. O governo israelense, por sua vez, veio a público dizer que o Líbano não tem relação com o conflito e as negociações entre Washington e Teerã.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Flávia Gianini, jornalista e especialista em economia e política internacional, critica a postura do governo Benjamin Netanyahu. “As declarações do embaixador israelense representam distorção da natureza real do conflito. Essa última agressão ao sul do Líbano está inserida na política sionista. Então isso não está desconectado do conflito no Irã. Israel possui ambição sobre o Líbano desde a ocupação da Palestina. Portanto, responder que isso [os conflitos que acontecem no Oriente Médio não têm conexão] é uma resposta típica diplomática, mas não representa a realidade”, pontua.
“A comunidade internacional vê esses recorrentes anúncios de cessar-fogo como mais um jogo, um bate-bola, entre EUA e Israel. A gente sabe que o governo Trump apoia o Estado de Israel, mesmo com as ameaças que Trump fez a Netanyahu, chegando a dizer que, se os ataques ao Líbano continuassem, Netanyahu ficaria isolado. Só que nada disso é confiável, ninguém confia nessa mediação, porque a gente sabe que os países são parceiros econômicos e políticos na região”, avalia.
Por todo esse contexto, segundo Gianini, é pouco provável que esse cessar-fogo vá funcionar. “Até porque não está funcionando desde 16 de abril. Se a posição de Netanyahu for ficando fragilizada, pode ser que os EUA intervenham de uma forma em restituir e reforçar a sua própria posição. Se os ataques arrefecerem, terá mais a ver com as pressões internas que Netanyahu tem sofrido do que com o aceite do cessar-fogo ou qualquer pressão americana”, analisa.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
