Copa da vergonha

‘Crimes da Copa’: para especialista, as perseguições dos EUA a atletas não são nenhuma surpresa

O jornalista Celso Unzelte lembra que a Fifa concedeu um 'estranhíssimo prêmio da paz' a Donald Trump

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JIA HAOCHENG / POOL / AFP
O presidente Donald Trump em evento da Fifa realizado em dezembro de 2025 | Crédito: Jia Haocheng/Pool/AFP

A Copa do Mundo de 2026 é a edição com o maior número de participantes no campeonato: 48 seleções. Mas o que parecia um salto de inclusão e diversidade foi se mostrando um festival de perseguição contra jogadores, comissões técnicas e até arbitragem. Jogadores foram revistados por horas e alguns chegaram a ser interrogados. Os vistos de alguns integrantes de comissão técnica do Irã foram negados ou não foram emitidos, e o árbitro da Somália, Omar Abdulkadir Artan, foi impedido de entrar nos Estados Unidos.

“Começamos muito mal e não podia ser diferente. Vamos lembrar que a Fifa acabou de dar um estranhíssimo ‘prêmio da paz’ para Donald Trump. Não são de se estranhar, para quem acompanha os bastidores do futebol como a gente, as implicações políticas. Mesmo esse aumento de seleções tem muito mais a ver com política e economia do que inclusão. Enfim, é mais um triste capítulo da Fifa”, disse o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, ao Conexão BdF 2ª edição, da Rádio Brasil de Fato, lembrando o histórico de Copas do Mundo em países ditatoriais, como a Argentina da ditadura militar (1978) ou a Itália sob o governo fascista de Benito Mussolini (1934).

O jornalista destaca o contraste da recepção dos EUA e nos outros países-sede desta Copa. “A gente ainda tem o contraste em relação ao México e ao Canadá, que também estão recebendo os jogos da Copa. E no México, a recepção é festiva. Aquilo sim é um clima de Copa. Nos Estados Unidos não há clima de Copa, há crime de Copa.” E critica, mais uma vez, a Fifa, que, segundo ele, lava as mãos para essas questões.

Unzelte falou ainda sobre a falta de engajamento político dos jogadores e lista Sócrates e Maradona como os últimos atletas com esse perfil na América Latina. Nesse sentido, um dos problemas já identificado nos torneios mundiais, que é a exaustão dos jogadores ou lesionados, acaba não sendo discutido.

“O problema do futebol é muito futebol. Copa do Mundo é disputada com jogadores no fim da chamada temporada europeia. Eles estão estourados de uma temporada de muitos jogos. Então, esse é um outro problema político envolvendo o futebol.”

Apesar dos problemas, o comentarista fez sua aposta de favoritos para o campeonato: França e Espanha. “Pelo material humano, pelo jogo consolidado”. Unzelte, no entanto, continua a torcer pelo Brasil e, “do ponto de vista não derrotista, mas realista”, acredita que a seleção deve chegar, pelo menos, à semifinal.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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