Lideranças populares e camponeses alinhados ao ex-presidente Evo Morales rejeitaram nesta segunda-feira (16) a possibilidade de a Central Operária Boliviana (COB) participar de um diálogo com o governo do presidente Rodrigo Paz, alertando que qualquer acordo firmado sem o apoio da base mobilizada seria desconsiderado.
As organizações mantêm sua exigência de renúncia do presidente após 46 dias de bloqueios e protestos que paralisaram grande parte do país.
O líder camponês Nelson Virreira descreveu o apelo ao diálogo como uma “farsa”, afirmando que “Rodrigo Paz jamais dialogou com os setores sociais”. Em mensagem dirigida ao secretário-executivo da COB (Central Operária Boliviana), Mario Argollo, Virreira o exortou a não enganar o povo boliviano e a manter-se firme nos “princípios revolucionários” da organização sindical.
Na mesma linha, Aquilardo Caricari, líder do Movimento Intercultural, alertou que, se a COB negociar sem consultar seus membros, perderá a autoridade para desmobilizar os manifestantes. “Veremos quem os escuta e tenta desmobilizar as pessoas que bloqueiam as estradas”, declarou Caricari, anunciando a ampliação dos bloqueios.
Da mesma forma, Vicente Choque, líder da Confederação Unificada dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e aliado de Evo Morales, afirmou que, embora alguns líderes tenham tentado negociar, a base rejeita qualquer proposta nesse sentido devido ao descontentamento com a situação econômica. “Mesmo que alguns líderes tentem negociar em nome desta luta, nós continuaremos”, afirmou Choque, convocando outros setores a se juntarem às táticas de pressão.
O ex-presidente Evo Morales reafirmou seu apoio ao COB, elogiando sua resiliência e organização com a continuação dos bloqueios de estradas, apesar das temperaturas congelantes. As associações de produtores de coca têm ajudado a reforçar os bloqueios.
Assim, o impasse político persiste. Enquanto o governo tenta retomar as negociações, os setores mobilizados insistem que sua principal reivindicação é a saída do presidente Paz, descartando acordos parciais.
