Para o mundo

Lula critica protecionismo e ‘políticas pró-bilionários’ em discurso no G7

O presidente também defendeu uma reformulação da governança internacional, com mais representatividade na ONU e na OMC

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Crédito: Evaristo Sa/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta terça-feira (16) a redução da cooperação internacional, o avanço do protecionismo e o crescimento das desigualdades globais durante discurso na reunião ampliada do G7, na França. Ao participar do debate sobre novas parcerias para o desenvolvimento, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o mundo vive um período de enfraquecimento da solidariedade entre os países, justamente em um momento marcado pelo aumento da pobreza, dos conflitos e da concentração de renda.

Lula disse ainda que a comunidade internacional assiste a um recuo de compromissos históricos assumidos pelas economias mais ricas. Segundo o chefe de Estado, a assistência oficial ao desenvolvimento vem diminuindo ao mesmo tempo em que cresce a influência de interesses econômicos concentrados.

“A solidariedade internacional está em retração. A assistência oficial ao desenvolvimento caiu pela primeira vez em cinco anos. Os recursos destinados à cooperação são insuficientes para responder aos desafios que a própria comunidade internacional reconhece como prioritários”, afirmou.

O presidente também criticou o que chamou de favorecimento dos mais ricos nas políticas econômicas adotadas por parte dos países desenvolvidos. “Enquanto se reduzem recursos para combater a fome, a pobreza e a mudança do clima, multiplicam-se políticas pró-bilionários. O resultado é um mundo cada vez mais desigual, mais instável e menos capaz de responder aos desafios coletivos”, declarou.

Sem mencionar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, Lula voltou a condenar medidas protecionistas que têm ampliado as tensões comerciais internacionais. O discurso ocorreu em meio às discussões provocadas pela proposta estadunidense de aplicar tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Diplomatas brasileiros já haviam antecipado que o presidente evitaria referências diretas ao governo dos Estados Unidos, mas utilizaria o encontro para defender o livre comércio e o fortalecimento das instituições multilaterais. 

Ao abordar a economia global, Lula afirmou que barreiras comerciais e ações unilaterais prejudicam principalmente os países em desenvolvimento e dificultam a construção de estratégias conjuntas para o crescimento econômico. “O protecionismo e o unilateralismo aprofundam desigualdades e comprometem a confiança entre as nações. Precisamos reconstruir pontes e fortalecer mecanismos de cooperação que permitam um desenvolvimento compartilhado”, disse.

O presidente também defendeu uma reformulação da governança internacional. Segundo ele, instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial já não refletem a distribuição de poder do século 21 e precisam incorporar de forma mais efetiva os interesses dos países do Sul Global.

“A ordem internacional precisa ser atualizada para refletir a realidade contemporânea. Não é possível enfrentar os desafios do nosso tempo com instituições desenhadas para um mundo que já não existe. Precisamos de uma ONU [Organização das Nações Unidas] mais representativa, de uma Organização Mundial do Comércio fortalecida e de mecanismos que deem voz aos países em desenvolvimento”, afirmou. 

Lula ainda relacionou a necessidade de mudanças institucionais ao aumento das crises internacionais. Para o presidente, problemas como insegurança alimentar, mudanças climáticas, conflitos armados e desigualdade econômica exigem respostas coletivas e não podem ser solucionados apenas por iniciativas nacionais.

“O mundo não precisa de menos cooperação. Precisa de mais cooperação. Não precisa de menos multilateralismo. Precisa de mais multilateralismo. Nenhum país, por mais poderoso que seja, conseguirá enfrentar sozinho os desafios globais que temos diante de nós”, declarou.

Convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron, Lula participa pela décima vez de uma cúpula do G7. Além dos debates multilaterais, o brasileiro cumpre agenda de reuniões bilaterais voltadas a comércio, investimentos e cooperação internacional.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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