Próximos passos

Após acordo para encerrar guerra, Irã e EUA se reúnem na Suíça para discutir aplicação das regras

Assinatura abre um período de até 60 dias para que EUA e Irã negociem um acordo definitivo sobre a questão nuclear

Os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian assinam um memorando de entendimento pelo fim da guerra entre EUA e Irã
Os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian assinam um memorando de entendimento pelo fim da guerra entre EUA e Irã | Crédito: AFP PHOTO/IRINN via AFPTV

Representantes do Irã e dos Estados Unidos se reúnem na próxima sexta-feira (19) em Bürgenstock, na Suíça, para as primeiras negociações sobre a aplicação do protocolo assinado pelos dois países para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro. 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Suíça, “continua previsto que Estados Unidos e Irã, assim como os mediadores, Paquistão e Catar, se reunirão amanhã (sexta-feira) em Bürgenstock para as primeiras negociações sobre a aplicação do acordo”.

O memorando foi assinado pelos presidentes Masoud Pezeshkian e Donald Trump na quarta-feira (17). Com ele, inicia-se um período de até 60 dias para que Estados Unidos e Irã negociem um acordo definitivo sobre a questão nuclear. O prazo poderá ser prorrogado caso haja concordância entre as partes. O futuro acordo deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Enquanto as negociações estiverem em andamento, os dois países concordaram em manter a situação atual. O Irã preservará seu programa nuclear nos níveis atuais e os Estados Unidos não irão impor novas sanções nem enviar forças militares adicionais para o Oriente Médio.

O documento ainda cria um canal de negociação para discutir o enriquecimento de urânio, o destino do estoque iraniano de urânio, a suspensão de sanções e os materiais enriquecidos sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica [AIEA]. Segundo o texto, a “metodologia mínima” seria “realizar a diluição no local, sob a supervisão da AIEA”.

O memorando inclui medidas econômicas e marítimas. Os Estados Unidos se comprometeram a iniciar a retirada gradual de restrições relacionadas às exportações de petróleo iraniano, transações bancárias, seguros, transporte, acesso a ativos congelados e bloqueio naval. Em contrapartida, o Irã concordou em facilitar o trânsito comercial pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz e coordenar acordos administrativos futuros com Omã e outros países da região.

Inclusão do Líbano

O primeiro artigo do texto determina o fim imediato e permanente das operações militares entre Irã, Estados Unidos e seus aliados em todas as frentes, incluindo o Líbano. 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou, na última terça-feira (16), que a questão do Líbano é um dos principais pontos do acordo. “Do nosso ponto de vista, há duas partes neste memorando: de um lado, Estados Unidos e Israel, e do outro, Irã e Hezbollah.”

Segundo ele, “esta é, talvez, a questão mais importante do memorando: a declaração de um fim imediato e permanente da guerra em todos os fronts, incluindo o Líbano”.

O ministro afirmou ainda que “qualquer ataque militar por parte do regime sionista contra o Líbano, de agora em diante, e a ocupação contínua de territórios libaneses a partir de agora serão considerados uma violação do memorando de entendimento”.

Israel mantém posições no Líbano apesar de acordo

Apesar do acordo, Israel mantém sua posição sobre a permanência de tropas no sul do Líbano. Um integrante do governo israelense ouvido pela Reuters afirmou que o país não pretende recuar da ocupação. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já declarou que as forças israelenses permanecerão no Líbano, em Gaza e na Síria “pelo tempo que for necessário”.

O Hezbollah, por sua vez, informou, na segunda-feira (15), que “repeliu” soldados israelenses com foguetes e drones durante uma tentativa de avanço perto da cidade de Nabatiyeh.

O acordo também recebeu críticas de integrantes da política israelense. O ex-ministro da Defesa Yoav Gallant afirmou que “infelizmente, o Irã manteve suas capacidades nucleares por causa de nossos próprios erros de cálculo estratégicos, e isso representa um sério perigo”.

Gallant acrescentou que “este acordo nos deixou em uma posição muito ruim. O objetivo estratégico de Israel era unicamente interromper o programa nuclear e, dentro dessa estrutura, desperdiçamos oportunidades que não se repetirão por uma ou duas gerações”.

Já o parlamentar Moshe Saada declarou que “o primeiro-ministro Netanyahu precisa dizer ‘basta’ a Trump”. Ele também afirmou ser “obrigado a defender os israelenses, e a retirada do Líbano neste momento representa uma ameaça existencial para Israel. O dever exige que ataquemos o Líbano em todos os lugares, 24 horas por dia, com força máxima e sem proporcionalidade”.

Nos Estados Unidos, Trump respondeu às críticas ao acordo em publicação na rede Truth Social. “Esses idiotas, que acham que eu não tenho sido duro o suficiente com o Irã, quando a Bolsa de Valores acaba de atingir UM RECORDE HISTÓRICO, e os preços do petróleo estão ‘despencando’, são pessoas invejosas, más ou estúpidas. FAÇA A AMÉRICA GRANDE DE NOVO!!!”, escreveu.

Editado por: Rafaella Coury

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