VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Proposta busca ampliar atendimento nas Delegacias da Mulher no RS em dias de jogos do Brasil

Solicitação do deputado Adão Pretto Filho cita estudos que indicam alta de agressões e ameaças durante partidas

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Em dias de jogos de futebol, agressões físicas contra mulheres aumentam 20,8%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Em dias de jogos de futebol, agressões físicas contra mulheres aumentam 20,8%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública | Crédito: Jorge Leão

Com base em estudos que indicam aumento de agressões e ameaças contra mulheres em dias de jogos de futebol, o deputado estadual Adão Pretto Filho (PT) encaminhou ofício à Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul solicitando a ampliação do atendimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) durante as partidas do Brasil na Copa do Mundo.

Pretto coordena a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa e preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. No documento, o parlamentar pede que o governo avalie a ampliação dos horários de funcionamento das Deams nos dias de jogos, especialmente durante as partidas e nas horas seguintes.

A iniciativa busca garantir acolhimento, orientação e acesso a medidas protetivas nos períodos em que os indicadores apontam maior risco de violência. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 23 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Na maior parte das unidades, o atendimento ocorre apenas até as 18h, o que limita o acesso das vítimas durante a noite, nos finais de semana e em momentos considerados mais críticos para a ocorrência de violência doméstica.

O pedido também ocorre em um cenário de agravamento da violência de gênero no estado. No mesmo período do ano passado, o Rio Grande do Sul contabilizava 35 feminicídios. Em 2026, o número já chegou a 40 vítimas, um aumento de 14,3%.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados pela Agência Senado, apontam que, em dias de jogos de futebol, as agressões físicas contra mulheres aumentam 20,8%. O mesmo levantamento indica crescimento de 23,7% nos casos de ameaças registrados nessas ocasiões.

Para Pretto, os dados demonstram que a prevenção deve orientar a atuação do poder público. “O estado precisa agir preventivamente. Não podemos esperar que a violência aconteça para depois oferecer proteção. É fundamental garantir que as mulheres encontrem atendimento especializado, acolhimento e acesso rápido às medidas protetivas justamente nos momentos em que o risco aumenta”, afirma.

Segundo o parlamentar, a medida busca adequar a estrutura pública a uma demanda que tende a crescer nesses períodos.

“Não podemos aceitar que uma mulher decida denunciar uma agressão e encontre uma delegacia fechada. Se sabemos que os casos aumentam em determinados períodos, é dever do estado adequar sua estrutura para oferecer acolhimento, proteção e atendimento qualificado. O governo também precisa fazer uma campanha ostensiva de divulgação de canais para denúncia, como o Disque 180”, conclui.

Editado por: Marcelo Ferreira

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