Com base em estudos que indicam aumento de agressões e ameaças contra mulheres em dias de jogos de futebol, o deputado estadual Adão Pretto Filho (PT) encaminhou ofício à Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul solicitando a ampliação do atendimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) durante as partidas do Brasil na Copa do Mundo.
Pretto coordena a Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher da Assembleia Legislativa e preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. No documento, o parlamentar pede que o governo avalie a ampliação dos horários de funcionamento das Deams nos dias de jogos, especialmente durante as partidas e nas horas seguintes.
A iniciativa busca garantir acolhimento, orientação e acesso a medidas protetivas nos períodos em que os indicadores apontam maior risco de violência. Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 23 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Na maior parte das unidades, o atendimento ocorre apenas até as 18h, o que limita o acesso das vítimas durante a noite, nos finais de semana e em momentos considerados mais críticos para a ocorrência de violência doméstica.
O pedido também ocorre em um cenário de agravamento da violência de gênero no estado. No mesmo período do ano passado, o Rio Grande do Sul contabilizava 35 feminicídios. Em 2026, o número já chegou a 40 vítimas, um aumento de 14,3%.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados pela Agência Senado, apontam que, em dias de jogos de futebol, as agressões físicas contra mulheres aumentam 20,8%. O mesmo levantamento indica crescimento de 23,7% nos casos de ameaças registrados nessas ocasiões.
Para Pretto, os dados demonstram que a prevenção deve orientar a atuação do poder público. “O estado precisa agir preventivamente. Não podemos esperar que a violência aconteça para depois oferecer proteção. É fundamental garantir que as mulheres encontrem atendimento especializado, acolhimento e acesso rápido às medidas protetivas justamente nos momentos em que o risco aumenta”, afirma.
Segundo o parlamentar, a medida busca adequar a estrutura pública a uma demanda que tende a crescer nesses períodos.
“Não podemos aceitar que uma mulher decida denunciar uma agressão e encontre uma delegacia fechada. Se sabemos que os casos aumentam em determinados períodos, é dever do estado adequar sua estrutura para oferecer acolhimento, proteção e atendimento qualificado. O governo também precisa fazer uma campanha ostensiva de divulgação de canais para denúncia, como o Disque 180”, conclui.
