Um novo Banco Vermelho será instalado em Porto Alegre como símbolo de memória, denúncia e enfrentamento à violência contra as mulheres, em um ato que também busca provocar a escuta e a responsabilização dos homens diante da alta dos feminicídios no Rio Grande do Sul. A ação ocorre neste domingo (14), das 12h às 19h, no EPEC – Bar do Alexandre, na Cidade Baixa, durante o evento “Cururu por Elas – Vozes, Arte e Resistência”, organizado por mulheres do Bloco do Cururu.
A atividade, aberta ao público, reunirá feira de empreendedorismo feminino, apresentações artísticas e musicais, conversas sobre direitos das mulheres e ações de conscientização contra a violência de gênero. O bar fica na rua Miguel Teixeira, 189.
Mais do que a instalação de um equipamento urbano, a proposta é transformar um espaço de convivência em local permanente de reflexão sobre o feminicídio e de compromisso com a defesa da vida das mulheres. O Banco Vermelho integra uma mobilização internacional de conscientização sobre a violência contra mulheres e homenageia vítimas de feminicídio.
Segundo Denise Sant Ana, uma das organizadoras do evento, a escolha de um espaço amplamente frequentado por homens faz parte da mensagem política da ação. “Pretendemos, com essa ação, provocar a escuta, a reflexão e a conscientização desses homens de que o feminicídio é uma responsabilidade inerente ao gênero que dá causa a tantas vidas ceifadas ao longo dos anos”, afirma.
Compromisso além do discurso
A campanha de financiamento do banco também busca envolver os homens de forma concreta. As organizadoras lançaram cotas solidárias de R$ 10, destinadas à compra do Banco Vermelho e aos custos de realização do evento. As contribuições podem ser feitas pelo PIX [email protected].
“Queremos sensibilizar e reforçar que a luta pelo fim de qualquer violência contra a mulher exige consciência, posicionamento e atitude coletiva, que vão muito além de um discurso de simples apoio. Acreditamos que, cada vez mais, precisamos ter espaços de resistência, diálogo e transformação cultural, para nós e para as gerações futuras. E clamamos: parem de nos matar!”, completa Sant Ana.
Estado registra escalada de feminicídios
A instalação do Banco Vermelho ocorre em meio à escalada dos feminicídios no Rio Grande do Sul. Na madrugada de segunda-feira (8), o estado chegou ao 38º caso do ano. A vítima foi Tatiane Cristina Kusniewski, de 39 anos, morta em Alecrim, no noroeste gaúcho. O marido dela, Valdecir Inácio Barbosa, foi preso em flagrante pela Brigada Militar.
Segundo a Lupa Feminista, os dados são ainda mais graves: o levantamento da iniciativa contabiliza 46 feminicídios no RS entre 1º de janeiro e 11 de junho de 2026.
O estado chegou a 27 feminicídios nos primeiros três meses do ano, alta de 68,75% em relação ao mesmo período de 2025. Também foram registrados mais de 18 mil casos de violência contra mulheres entre janeiro e abril, incluindo ameaças, lesão corporal, estupro, feminicídio tentado e consumado.
Serviço
O quê: Instalação do Banco Vermelho no EPEC – Bar do Alexandre
Evento: “Cururu por Elas – Vozes, Arte e Resistência”
Quando: domingo, 14 de junho, das 12h às 19h
Onde: rua Miguel Teixeira, 189, Cidade Baixa, Porto Alegre
Campanha de apoio: cotas solidárias de R$ 10
PIX: [email protected]
Informações: @bloco_do_cururu_
Contato: (51) 98144-1018 – Denise Sant Ana
