Eleições

Escrutínio de votos dificilmente reverterá vitória da extrema direita na Colômbia, avalia analista internacional

João Estevam afirma que, caso o resultado se concretize, esquerda precisará se reorganizar para fazer oposição firme

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Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella disputam o segundo turno da eleição presidencial colombiana, que definirá a continuidade ou não do ciclo político iniciado por Gustavo Petro em 2022
Iván Cepeda (esq.) e Abelardo de la Espriella (dir.) disputam o segundo turno da eleição presidencial colombiana, que definirá a continuidade ou não do ciclo político iniciado por Gustavo Petro em 2022. | Crédito: Francisco Calderon e Manuel Pedraza/AFP

A apuração preliminar do processo eleitoral na Colômbia dá vitória ao ultradireitista Abelardo de La Espriella, com cerca de 240 mil votos a mais do que o candidato de esquerda Iván Cepeda. O presidente Gustavo Petro afirmou que só reconhecerá o resultado após o término do chamado escrutínio, que é a apuração oficial, definitiva e com validade jurídica.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, João Estevam, analista internacional e professor de Relações Internacionais na Universidade Anhembi-Morumbi, explica que esse processo é o momento em que os partidos têm chance de realizar verificações e até identificar fraudes, porém ele não acredita numa mudança de resultado. “Eles apontam irregularidades, pessoas que supostamente teriam votado, mas não votaram. Os partidos colocam suas demandas diante do Conselho Eleitoral da Colômbia, apontam questões que entendem que não foram regulares. Enfim, é um momento em que se pode passar a limpo a votação. Ainda assim, quando analisamos o caso da Colômbia, é muito difícil que haja uma reversão significativa dos votos. Ainda que o Pacto Histórico tenha identificado 33 mil votos equivocados, é difícil”, avalia.

Estevam defende que, caso o resultado da vitória da extrema direita se confirme, a esquerda terá que se organizar rapidamente como oposição. “Outros elementos acabam tendo um peso maior no campo progressista. Ainda mais em um país que é marcado por instabilidade política e eleitoral. E isso envolve o processo de transição política do presidente Petro para um provável governo de La Espriella, e também a forma como a esquerda vai se organizar, seja no Legislativo, seja no Executivo, ao longo do país para conseguir emplacar posições contrárias ao governo”, avalia.

“O elemento de maior relevância [caso a extrema direita vença] é uma provável retomada do papel que a Colômbia tem de parceiro militar e de segurança, o principal aliado dos EUA na região. Entendo que pode haver uma retomada dessa relação que em parte se rompeu com a chegada de Petro e de uma retomada da militarização da política”, aponta João Estevam.

Para o analista, o eleitorado que garantiu vitória a La Espriella é formado majoritariamente pela classe média das regiões mais centrais do país, que tem sentido de forma mais cotidiana problemas como a violência urbana. “São pessoas que estão nas zonas de maior estabilidade política e produtividade, como onde fica Bogotá. Uma classe média que está passando por questões econômicas e tem sentido o efeito de questões da segurança pública. As zonas do que seriam o litoral do país ou próximas das fronteiras, mais pobres, teriam mais votos de Cepeda. Todo esse processo acaba levando esse eleitor médio a ver na figura do La Espriella um outsider, assim como no caso de Bukele em El Salvador, ou de Milei na Argentina, de Noboa no Equador. São figuras que se colocam como outsiders, como um quadro de renovação política, e que mostram em seus discursos uma aproximação com os EUA e também um caminho de relançar internacionalmente o país. Esse é o discurso que é apresentado por esses políticos”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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