Saúde pública

Lula entrega radioterapia em SP, CE e MT e zera estados sem o serviço no SUS

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, compra de 105 aparelhos oncológicos em três anos é a maior do mundo

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Presidente Lula durante visita ao Hospital Santa Marcelina, na zona leste de SP
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Hospital Santa Marcelina, em São Paulo (SP). 23.06.2026 | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O governo federal realizou nesta terça-feira (23) uma entrega simultânea de aceleradores lineares de alta tecnologia para o tratamento de câncer, contemplando três hospitais filantrópicos no país: o Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo; o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), em Fortaleza; e o Hospital Santo Antônio, em Sinop, no Mato Grosso.

Com a consolidação destas entregas, o Ministério da Saúde atingiu uma marca histórica: a partir de agora, 100% dos estados brasileiros contam com pelo menos um centro de radioterapia integrado à rede pública.

A ampliação da infraestrutura faz parte do programa Agora tem Especialistas e do Novo PAC Saúde, somando um investimento que ultrapassa os R$ 166 milhões em ações de modernização e custeio assistencial. “O que nós queremos é que, independentemente do lugar onde mora, da cor, da religião, do partido, todos tenham direito a um tratamento igual, justo e de boa qualidade”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a solenidade central realizada na capital paulista.

Redução nas filas de espera

A entrega do novo acelerador linear no Hospital Santa Marcelina substitui um aparelho antigo e gera um impacto imediato no atendimento à população da zona leste de São Paulo, região que concentra cerca de 4,5 milhões de habitantes.

A diretora-presidente da instituição, Irmã Rosane Ghedin, detalhou que a oncologia representa cerca de 30% das internações do hospital, com a realização de 2.400 cirurgias oncológicas e mais de 28 mil sessões de quimioterapia por ano.

De acordo com a diretora, o Santa Marcelina atende anualmente cerca de 1.600 pacientes em radioterapia. Com a chegada da nova tecnologia, a estimativa é elevar esse patamar para 2.160 pacientes por ano, um crescimento superior a 30% na oferta do serviço.

“O tempo médio de espera para o início da radioterapia, que hoje pode chegar a 45 dias, será reduzido para aproximadamente 7 a 10 dias”. Rosane enfatizou ainda que isso se traduz em diagnósticos tratados com maior rapidez e mais chances de sucesso terapêutico.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, esteve presente na solenidade e elogiou a parceria de 65 anos entre o poder público e a congregação das Irmãs Marcelinas na assistência à saúde paulista. Alckmin ressaltou a agilidade que o tratamento oncológico demanda: “A velocidade faz diferença no tratamento do câncer. Quanto mais rápido o diagnóstico, quanto mais rápido o tratamento, salva vidas.”

Ceará e Mato Grosso

Por meio de transmissão ao vivo, as autoridades de saúde e gestores locais comemoraram as inaugurações no Ceará e em Mato Grosso. Em Fortaleza, no Instituto do Câncer do Ceará, o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, explicou que o novo equipamento utiliza a técnica de hipofracionamento para aplicar um menor número de doses de radiação.

“Isso aumenta em 30% a capacidade de atendimento”, explicou Sales. O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, também celebrou o reforço institucional: “Estamos fortalecendo o Sistema Único de Saúde aqui da nossa cidade e do nosso estado”.

Já em Sinop, João Carlos Girard, representando o Hospital Santo Antônio, destacou a importância humanitária de fixar o serviço de saúde no interior do estado. Atualmente, os pacientes de câncer da região precisam enfrentar viagens exaustivas até Cuiabá para conseguir atendimento. “Sendo 1.000 quilômetros, ida e volta, e no extremo norte do estado os pacientes se deslocam até 2.000 quilômetros. Esse aparelho vai trazer um alento a essas famílias”, relatou Girard.

Reconstrução mamária e saúde nas periferias

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que as aquisições do programa marcam a maior compra mundial de equipamentos de radioterapia, totalizando 105 aparelhos em três anos.

O ministro também destacou um novo avanço histórico voltado à saúde da mulher: a criação de uma nova tabela do Agora tem Especialistas para procedimentos de reconstrução mamária após a mastectopia, que passa a pagar aos hospitais até oito vezes mais do que o valor anterior. “Pela primeira vez no SUS, em 2025, nós fizemos mais cirurgias de reconstrução mamária do que mastectomia”, informou Padilha.

Ao encerrar o ato público, o presidente Lula relembrou os gargalos do SUS que geram as longas filas por consultas médicas especializadas e exames, justificando a criação do programa. Lula anunciou que, até o final do ano, o governo colocará em circulação 150 carretas adaptadas de exames, com foco na saúde da mulher, e 800 vans odontológicas para realizar o atendimento direto nas periferias e estradas brasileiras.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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