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Pacientes e servidores denunciam falta de profissionais no Caps em Ceilândia (DF)

Mobilização cobra reforço das equipes e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps)

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Usuários, familiares e trabalhadores se reuniram em frente à unidade para cobrar melhorias no atendimento e condições adequadas de funcionamento.
Usuários, familiares e trabalhadores se reuniram em frente à unidade para cobrar melhorias no atendimento e condições adequadas de funcionamento. | Crédito: Caps AD III

Pacientes, familiares e servidores do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD III) de Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, realizaram uma mobilização nesta quarta-feira (24) para denunciar a situação enfrentada pela unidade e cobrar providências da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

O ato chamou atenção para o aumento da demanda por atendimentos, a falta de profissionais, problemas estruturais e a necessidade de fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Entre as reivindicações apresentadas está a ampliação da carga horária das únicas duas médicas psiquiatras que atuam na unidade.

Segundo servidores ouvidos pelo Brasil de Fato DF, a mobilização foi organizada por pacientes, familiares e trabalhadores para denunciar as dificuldades enfrentadas pelo Caps. Uma servidora que preferiu não se identificar descreveu que a situação é grave.

Demanda

De acordo com uma carta aberta divulgada durante a atividade, a unidade atende quase 400 mil moradores de Ceilândia, Sol Nascente e Pôr do Sol, oferecendo atendimento em saúde mental e cuidado para pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

O documento aponta que a demanda pelo serviço cresceu significativamente nos últimos anos. O número de atendimentos passou de 5.256 no primeiro quadrimestre de 2024 para 9.837 no mesmo período de 2026, representando um aumento acumulado de aproximadamente 87%.

Apesar do crescimento da procura, a carta aberta afirma que o aumento da demanda não foi acompanhado pela ampliação das equipes.

“O serviço enfrenta dificuldades relacionadas à insuficiência de recursos humanos. Há déficit de diversas categorias profissionais, incluindo médicos psiquiatras, profissionais da clínica médica, psicólogos, terapeutas ocupacionais, técnicos administrativos, além da ausência de motorista”, afirma o documento.

Entre as principais reivindicações dos manifestantes está a ampliação da carga horária das duas psiquiatras que atuam na unidade. “Hoje nós só temos duas médicas que cumprem 20 horas [semanais]. E a gente pediu a ampliação da carga horária delas e o GDF fala que não tem dinheiro”, afirmou a servidora.

Segundo a carta, atualmente o serviço conta com 80 horas semanais de atendimento médico. No entanto, uma das profissionais encontra-se em licença médica, reduzindo temporariamente a oferta pela metade.

Manifestante exibe cartaz cobrando concurso público e reforço das equipes durante ato em defesa do Caps AD III Ceilândia. Crédito: Divulgação/Autoria desconhecida

Atendimento

Os trabalhadores afirmam que a insuficiência de profissionais tem provocado impactos diretos no acesso da população ao serviço, especialmente nas consultas médicas. “Uma coisa que prejudica é a demora no atendimento médico, a agenda para atendimento está para outubro. Isso é um ponto grave, os pacientes chegam, precisam de um atendimento médico e não vão ter”, relatou a fonte.

Claudete Santos, irmã de um paciente atendido pela unidade, percebeu que a estrutura da unidade não dá conta da demanda por atendimento em saúde mental na região. “Ceilândia, especialmente, é a maior cidade administrativa do DF, onde a população só cresce. E com o crescimento da população, também aumentam a demanda por cuidados da saúde mental, seja ela relacionada a drogas ou não”, afirmou.

Segundo ela, a procura pelos serviços exige reforço das equipes e ampliação da oferta de atendimento. “Precisamos de mais horas médicas para atendimento. Precisamos de mais profissionais para acolhimento. Precisamos de mais oficinas de terapia para dar continuidade ao tratamento dos pacientes e apoio aos familiares que também chegam adoecidos”, disse.

Estrutura e reivindicações

A carta também destaca que a falta de profissionais afeta diretamente o atendimento aos pacientes, o acompanhamento das famílias e o trabalho desenvolvido em conjunto com outros serviços da rede pública de saúde e assistência social.

Além do déficit de servidores, os trabalhadores denunciam limitações estruturais. O serviço enfrenta problemas relacionados à infraestrutura e aos equipamentos utilizados no cotidiano da unidade.

O documento cita condições inadequadas de parte dos equipamentos de informática, que se encontram defasados e comprometem a agilidade dos registros, a comunicação entre os serviços e a qualidade dos processos de trabalho.

Com faixas e cartazes, usuários, familiares e trabalhadores pediram reforço das equipes e ampliação da rede de saúde mental na região. Crédito: Divulgação/Autoria desconhecida

Por funcionar 24 horas, o Caps AD III depende de equipes completas para garantir atendimento contínuo à população. No documento, os trabalhadores também defendem a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) na região, com a implantação de novos equipamentos, incluindo Caps Infantil e Caps Geral.

Entre as reivindicações apresentadas estão a ampliação da carga horária para 40 horas das médicas que já solicitaram a adequação, a realização de concurso público para contratação de especialistas, o reforço da equipe multiprofissional, investimentos em infraestrutura e a expansão da rede de saúde mental.

“Defender o Caps é defender a vida, o cuidado e o direito de todos à saúde”, conclui a carta aberta.

Irmã de paciente, Claudete também defendeu maior atenção do poder público à saúde mental no Distrito Federal. “O DF precisa ter um olhar abrangente para a área da saúde mental. E qual é o preparo? Qual é a estrutura que os órgãos competentes estão oferecendo à equipe que trata de uma população que já é tão discriminada, tão subjugada por uma boa parte da sociedade? Sim, precisamos e muito de socorro”, declarou.

Outro lado

O Brasil de Fato DF procurou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para comentar as reivindicações apresentadas pelos usuários, familiares e trabalhadores da unidade e aguarda retorno.


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Editado por: Clivia Mesquita

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