Os dois terremotos com magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24) e causaram 164 mortes, até o momento, deixaram um rastro de destruição em várias cidades do país. Cerca de 10 mil pessoas estão desaparecidas e o trabalho de resgate segue sendo realizado. O epicentro do terremoto mais forte foi localizado a cerca de 13 km de profundidade, perto da cidade de Morón, no estado venezuelano de Carabobo, na costa do Caribe.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou solidariedade ao povo venezuelano e declarou que instruiu o Ministério das Relações Exteriores a avaliar, junto com a embaixada brasileira em Caracas, a situação do país e quais medidas assistenciais possam ser oferecidas pelo Brasil.
Rosana Fernandes, coordenadora política da brigada internacionalista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Venezuela, falou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, diretamente de Caracas, e relatou momentos de desespero com os tremores de terra. Ela destacou a rapidez com que o governo orientou a população sobre as medidas urgentes a serem tomadas.
“A organização comunal que existe no país possibilita uma descentralização e uma articulação mais rápida. Todas as orientações chegaram muito rápido. Foi uma situação de pânico, de horrores vividos e vistos. Somos testemunhas disso. As pessoas foram para as ruas, porque a orientação imediata era desocupar os prédios. As praças e ruas eram os espaços mais seguros para essa madrugada. E agora, devagar, estão retornando a partir da averiguação da Defesa Civil dos prédios que foram mais afetados”, relatou.
Segundo Fernandes, informações oficiais indicam que os piores abalos já ocorreram e o governo pede que a população procure aguardar com calma o decorrer das próximas horas. “É uma situação complexa e seguiremos acompanhando tudo e vivendo esse momento difícil para o povo venezuelano. A brigada está há 20 anos na Venezuela e, nessa história, vários momentos foram vividos, seja do ponto de vista político, seja dessa catástrofe natural, embora também seja consequência do que o ser humano tem feito com o planeta”, avalia.
Rosana Fernandes conta que a extensão dos terremotos foi sem precedentes e que profissionais da saúde em todo o país foram convocados a auxiliar nos atendimentos de feridos. “Venezuelanos compartilharam que em outros momentos já houve terremotos, mas de intensidade mais baixa. É tudo muito novo, muito recente. Acredito que o governo está fazendo todo o esforço necessário para que as vidas sejam preservadas”, relata.
Para ouvir e assistir
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