O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o atual governo brasileiro “não bate continência para a bandeira estadunidense” ao ser perguntado sobre como o país se equilibra diante da pressão dos Estados Unidos contra movimentos de diversificação de moedas.
A declaração do ministro fez referência a Jair Bolsonaro, que bateu continência para a bandeira dos Estados Unidos em diversas ocasiões: em um evento em Miami em outubro de 2017, ao receber o assessor de Segurança Nacional de Trump, John Bolton; no Rio de Janeiro em novembro de 2018; e ao ser homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Dallas em maio de 2019.
“É assim que a gente se equilibra”, completou Durigan durante coletiva em Pequim nesta sexta-feira (26), durante visita oficial à China. O ministro relatou que o presidente Lula apresentou a Donald Trump, na Casa Branca, dados sobre a perda de participação dos Estados Unidos na balança comercial brasileira.
“Quando o Presidente Lula assumiu em 2003, no seu primeiro mandato, os Estados Unidos representavam, na balança comercial brasileira, mais de 20% das trocas do Brasil. Em 2023, quando o presidente Lula volta para o seu terceiro mandato, era 12%. Em 2025, foi 9%”, afirmou.
Tarifas ‘injustas’
Durigan classificou a discussão tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil como injusta. O ministro argumentou que a lógica estadunidense para impor tarifas à China, baseada em desequilíbrios comerciais, não se aplica à relação com o Brasil.
Em um artigo publicado no The New York Times em setembro do ano passado, o presidente Lula argumentou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 410 bilhões (R$ 2,1 trilhões) no comércio bilateral com o Brasil. O Brasil é um dos três países do G20 com os quais os EUA têm superávit, ao lado de Reino Unido e Austrália.
Sobre Flávio Bolsonaro
Consultado sobre a ida do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tentar negociar com o governo Trump paralelamente ao Itamaraty, Durigan foi crítico. “O que o candidato de oposição faz hoje é exatamente isso. Buscar elementos, buscar financiamento [eleitoral], buscar fundamento, buscar munição de ataque ao Brasil no plano externo”, afirmou, classificando a prática como contrária à Constituição, que proíbe financiamento internacional de campanhas eleitorais.
“Eu acho lamentável que se faça isso. E é justamente na contramão do que a nossa institucionalidade faz. Agora, em se tratando da família Bolsonaro, não é surpresa, porque eles são contrários à institucionalidade brasileira, não é de agora. Tentaram dar golpe e a gente sabe o quanto eles desrespeitam as nossas instituições como um todo”, disse o ministro da Fazenda.
Pragmatismo
Durigan reafirmou a postura de abertura comercial do Brasil com todos os parceiros. “Se tem estadunidense que está querendo colocar dinheiro no Brasil para fazer biocombustível, eu acho ótimo. Se tem chinês, eu acho ótimo também. E as condições que vão ser oferecidas no EcoInvest são iguais para os dois”, declarou.
“Eu não vou ficar no corner entre China e Estados Unidos, porque eu tenho a minha estratégia brasileira”, concluiu.
