O número de mortos após os terremotos na Venezuela da última quarta-feira (24) já chega a 569 pessoas. Cerca de 50 mil seguem desaparecidos. Equipes de resgate espalhadas pelo país seguem nas buscas e também nos atendimentos a quase 3 mil feridos. A região mais atingida foi a de La Guaira, cidade litorânea próxima a Caracas, onde dezenas de edifícios desabaram.
Auxílio de pelo menos 17 países está chegando à Venezuela. O Brasil enviou ajuda humanitária nesta sexta-feira (26).
A analista internacional Ana Prestes lamenta o atual cenário de tragédia e avalia que o ideal seria que houvesse um preparo maior. “Há países como o Chile, o Japão, o próprio México e mesmo os Estados Unidos que estão mais preparados para esse tipo de evento, até pelo histórico de terremotos”, destaca.
“O máximo de esforço que puder ser feito por todo mundo nessas próximas horas é desejável”, segue. “Esse é um período em que ainda é possível tirar pessoas dos escombros. Há crianças sendo encontradas sem familiares.”
A especialista destaca que o país necessitará de colaboração internacional. “Todas as sanções que os EUA impõem à Venezuela precisam ser derrubadas urgentemente. Toda a solidariedade civil, do ponto de vista militar, todos os organismos que existirem, no âmbito da ONU, da Celac, da América Latina, onde tiver instrumento de ajuda, precisa ser mobilizado”, defende.
Prestes também critica a forma como a imprensa comercial trata a tragédia, aproveitando para inflar narrativas contrárias ao modelo político do país e aumentando o preconceito causado pela desinformação. “Essa população está sendo revitimizada a todo instante por uma imprensa que fica martelando que a situação é ruim por causa do chavismo, enquanto deveria dizer que os embargos, as sanções e o cerco dos EUA é que impossibilitaram que a Venezuela, em um período recente, pudesse viver de forma soberana, cuidando de suas questões”, afirma. “As pessoas estão aproveitando um luto, uma tragédia, para atacar o povo venezuelano.”
O governo dos Estados Unidos anunciou que as transações financeiras relativas à ajuda por causa dos terremotos estão liberadas, contudo, isso não significa o fim de embargos. Ana Prestes destaca que o país de Trump tem seus interesses, mesmo em um momento de fragilidade. “Eles vão, na realidade, aumentar a tutela, decidindo inclusive para onde vai o dinheiro. Ontem, Marco Rubio deu uma declaração preocupante de que os Estados Unidos é que vão cuidar do aeroporto. A narrativa de que a Venezuela não tem condições é para justificar o aumento da presença dos EUA, que já está lá, e sabemos bem que é por causa do petróleo”, aponta.
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