Sob escombros

Número de mortos na Venezuela sobe para 589 após terremotos; ajuda humanitária começa a chegar ao país

Nova atualização foi realizada na manhã desta sexta-feira pelo governo; número de feridos passa de 2,9 mil

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Equipes de resgate vasculham os escombros de um prédio que desabou em Caracas, em 25 de junho de 2026, após os terremotos.
Equipes de resgate vasculham os escombros de um prédio que desabou em Caracas, em junho de 2026, após os terremotos | Crédito: Juan Barreto/AFP

As equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes entre os escombros deixados pelos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24). O novo balanço divulgado pelo governo na manhã desta sexta (26) elevou para 589 o número oficial de mortos. Em meio à mobilização das equipes de resgate, a ajuda humanitária internacional começou a chegar ao país, com socorristas e equipamentos enviados por diferentes nações para reforçar as operações de busca e salvamento.

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, devastaram principalmente a região de La Guaira, cidade litorânea próxima a Caracas, onde dezenas de edifícios desabaram. Segundo o governo venezuelano, 2.980 pessoas ficaram feridas, enquanto centenas seguem desaparecidas e mais de 200 ainda estariam presas sob os escombros.

Equipes de resgate e paramédicos montaram um centro de atendimento improvisado em Morón, estado de Carabobo
Equipes de resgate e paramédicos montaram um centro de atendimento improvisado em Morón, estado de Carabobo | Crédito: Orlando Obispo / AFP

Em Caracas e nas áreas mais atingidas, equipes de resgate trabalham com máquinas pesadas e de forma manual para localizar vítimas. Em alguns pontos, os socorristas interrompem os trabalhos e pedem silêncio na tentativa de ouvir possíveis sobreviventes sob os destroços.

Ajuda internacional

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que equipes de busca e resgate de pelo menos 17 países estão sendo mobilizadas para atuar nas regiões afetadas. Socorristas de El Salvador e do México já desembarcaram em Caracas. Segundo a imprensa venezuelana, também chegaram ao país equipes e insumos enviados por Chile e Suíça.

O Brasil confirmou o envio de uma missão humanitária. Nesta sexta, um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira partiu de Guarulhos transportando bombeiros, técnicos da Defesa Civil Nacional, profissionais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e nove toneladas de equipamentos para busca e resgate. Um segundo voo, previsto para sábado (27), levará um hospital de campanha, purificadores de água, medicamentos e materiais médicos.

Bombeiros, militares e técnicos de telecomunicações brasileiros embarcam em um avião da Força Aérea Brasileira para missão de ajuda humanitária na Venezuela
Bombeiros, militares e técnicos de telecomunicações brasileiros embarcam em um avião da Força Aérea Brasileira para missão de ajuda humanitária na Venezuela | Crédito: Nelson Almeida / AFP

Os Estados Unidos anunciaram um pacote de US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 780 milhões) para ações de assistência humanitária, além do envio de navios, aeronaves e helicópteros.

Diversos países da América Latina também ofereceram ajuda, assim como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia, que prometeram enviar equipes especializadas.

Busca por desaparecidos

Em La Guaira, familiares seguem no aguardo de notícias de parentes desaparecidos. “Ele está aqui”, disse à agência AFP Alessandro del Giudice, de 23 anos, enquanto apontava para uma montanha de escombros onde acredita que o pai esteja soterrado. Ao lado dele, a avó, Amparo, tentava remover pedras com as próprias mãos.

“São muitas pedras e, com as mãos, não é possível”, lamentou.

Também em La Guaira, Jean Alexander Capote contou ter perdido familiares após o desabamento da casa onde viviam. “Minha casa caiu por completo, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não a encontro”, afirmou.

O governo brasileiro confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros na tragédia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a assistência consular está sendo prestada às famílias das vítimas.

Os terremotos ocorreram com intervalo inferior a um minuto e foram os mais intensos registrados na Venezuela desde 1900. Desde então, mais de 130 réplicas já foram registradas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). As autoridades venezuelanas alertam que o número de mortos pode continuar aumentando à medida que avançam as operações de resgate.

*Com informações da AFP

Editado por: Geisa Marques

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