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Um mês depois de indicar novo embaixador na Suprema Corte dos EUA, governo Trump envia consulta oficial ao Brasil

Palácio do Planalto avalia que processo seguirá os trâmites institucionais e será conduzido sob critérios técnicos

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Donald Trump durante cerimônia de assinatura do “Secure America Act”, na Casa Branca, em Washington, nesta quarta-feira (10).
Donald Trump durante cerimônia de assinatura do ‘Secure America Act’, na Casa Branca, em Washington | Crédito: Ken Cedeno/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou, nesta terça-feira (30), o nome de Daniel Perez como seu indicado para chefiar a embaixada estadunidense em Brasília (DF), o que foi tratado pelo governo brasileiro como mais um capítulo da disputa diplomática entre os dois países. Apesar das divergências recentes, a avaliação no Palácio do Planalto é de que o processo seguirá os trâmites institucionais e será conduzido sob critérios técnicos.

Um integrante do governo afirmou que a indicação será analisada dentro do procedimento de concessão do agrément — autorização formal concedida pelo país anfitrião para que um diplomata assuma o posto. Segundo ele, embora o anúncio público do nome tenha ocorrido antes mesmo do início desse rito, a situação não é considerada inédita.

De acordo com uma fonte palaciana, o Brasil não pretende transformar a avaliação em uma disputa ideológica. A orientação é examinar o histórico e a atuação do indicado, e não sua eventual proximidade política com Trump ou com setores da direita estadunidense. “Ser trumpista, de extrema direita ou ter votado em Trump não é motivo para rejeição”, resumiu a fonte, ao defender que apenas uma atuação comprovadamente contrária aos interesses brasileiros poderia pesar na análise.

A indicação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington, provocado pela ameaça de tarifas sobre produtos brasileiros, pela investigação comercial aberta pelos Estados Unidos e pela decisão estadunidense de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Nos bastidores, integrantes do governo também avaliam que o momento exige cautela para evitar um agravamento da crise diplomática. A estratégia, segundo o relato feito ao BdF, é preservar os canais institucionais de diálogo com a Casa Branca, mesmo diante das divergências políticas e comerciais.

Um interlocutor ainda afirmou que o governo considera importante separar a relação bilateral da conjuntura política. Segundo ele, a condução do processo de aceitação do novo embaixador não deverá ser influenciada pelas recentes declarações de autoridades estadunidenses nem pelo alinhamento político ao presidente Trump do indicado.

Editado por: Rafaella Coury

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