diplomacia

Lula observa avanço da extrema direita e busca construir consensos no Mercosul, avalia analista internacional

Amanda Harumy destaca crise no multilateralismo e presença da China como parceiro na América Latina

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à direita), cumprimenta com um aperto de mãos o presidente do Paraguai, Santiago Peña, à sua chegada para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, na sede da Conmebol, em Luque, Paraguai, em 30 de junho de 2026
Presidente Lula cumprimenta o presidente do Paraguai, Santiago Peña, na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no Paraguai | Crédito: Daniel Duarte/AFP

No discurso durante a abertura da 68ª Cúpula do Mercosul, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não citou o presidente estadunidense Donald Trump, mas declarou que “os países da América Latina não devem se alinhar automaticamente”, em clara alusão ao avanço da extrema direita no continente.

A analista internacional Amanda Harumy avalia que Lula vive hoje um processo de isolamento na América Latina com as recentes derrotas da esquerda e, por essa razão, a ideia agora é buscar consensos.

“A gente tem que destacar que, de fato, o Mercosul não tem essa homogeneidade ideológica, ele não carrega em si essa agenda ideológica, como os outros projetos, como, por exemplo, a Unasul, que tinha um caráter mais estratégico. O Lula dá esse discurso político sobre a necessidade de um consenso mínimo, destacando também que o que ele tem apresentado são propostas de integração regional”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Harumy argumenta que instrumentos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Conselho de Segurança, se enfraqueceram no que diz respeito à capacidade efetiva de julgar países ou exercer força coercitiva, servindo prioritariamente como espaços para denúncias. E esse cenário se dá muito por movimentos do governo Trump, que passou a trabalhar para esvaziar esses instrumentos.

“A conjuntura é entender se o multilateralismo deve ser abandonado, se não tem nenhum acúmulo importante para a sociedade ou se esse esvaziamento do próprio Estados Unidos não significa uma perda de hegemonia e de influência política dos Estados Unidos, que pode ser substituída por outros atores, inclusive como a China, por exemplo”, destaca. 

A analista também avalia o estrangulamento que continua sendo promovido pelos Estados Unidos contra Cuba e alerta que diplomacia é ferramenta e não política externa. “Política externa é a capacidade de poder e projeção de influência de um país. E aí a gente pode analisar o Irã mesmo, que tem hoje uma capacidade de poder real, tanto em relação ao Estreito de Ormuz ou até mesmo um contra-ataque militar nas bases militares dos Estados Unidos nos seus aliados. Isso, sim, reflete a dinâmica atual e não diplomática que está posta”, destaca Amanda Harumy.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Gomes

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